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Correio da Manhã

Portugal
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Andou pela rua aos tiros e alvejou cinco moradores

Um toxicodependente, de 33 anos, disparou anteontem duas dezenas de tiros de caçadeira em plena via pública, no Bairro da Boa Fé, em Elvas, e feriu duas mulheres e três homens. As vítimas foram atingidas nas pernas, nos braços, na barriga e no peito. Receberam tratamento no hospital e tiveram alta horas depois.
15 de Abril de 2006 às 00:00
Nuno fez pelo menos 20 disparos de caçadeira. Além dos feridos, provocou estragos em carros
Nuno fez pelo menos 20 disparos de caçadeira. Além dos feridos, provocou estragos em carros FOTO: Alexandre M. Silva
Segundo testemunhas contactadas pelo CM, o atirador, conhecido no Bairro da Boa Fé, onde reside com os pais, por Nuno ‘Pombinho’, disparou duas dezenas de tiros, em menos de 20 minutos, na rua e no interior de um restaurante. Matou um cão a tiro. Foi detido pela PSP.
“O homem estava descontrolado, talvez sob efeito de drogas, e atirava a tudo o que mexia. Acertou em carros, rulotes, na porta e na montra de um café, e em cinco pessoas. Felizmente, ninguém ficou mal”, recorda Luciana Barradas, uma das muitas pessoas do bairro que entraram em pânico quando viram ‘Pombinho’ com a caçadeira na mão, que tinha furtado ao pai.
Os primeiros tiros, segundo Cláudia Silva, outra das vítimas, foram ouvidos no bairro pelas 18h50. ‘Pombinho’ entrou no café e restaurante ‘O Filipe’ com a arma de caça apontada ao chão, pediu dinheiro aos cerca de 15 clientes que se encontravam dentro do estabelecimento, mas como ninguém lhe deu um cêntimo desatou aos tiros.
“Partiu a porta, o vidro da montra, uma vitrina e acertou em dois rapazes que estavam ao balcão. Ficaram feridos nos membros e na vista”, disse ao CM um empregado do restaurante, Nuno Baptista.
O atirador foi para a rua e continuou aos tiros, causando o pânico entre os transeuntes. Muitos conseguiram fugir e esconder-se atrás dos carros, mas outros não tiveram a mesma sorte.
Um homem foi alvejado numa perna e duas mulheres – a proprietária de um restaurante e empregada – foram atingidas nos braços, pernas, peito e barriga.
“Foi aflitivo. Disparava e punha cartuxos na arma e ninguém o conseguia parar”, disse ao nosso jornal, Cláudia Silva, a empregada.
DETIDO PELA POPULAÇÃO
Depois dos disparos contra estas mulheres e contra as viaturas estacionadas na via pública, ‘Pombinho’ seguiu pelas ruas do bairro, matou um cão a tiro e provocou estragos em cinco automóveis que estavam estacionados.
“Quando se preparava para colocar mais cartuxos na arma, vários homens moradores no bairro saltaram-lhe para cima, imobilizaram-no e telefonaram para a PSP”, disse ao CM uma testemunha. Um carro-patrulha da PSP demorou escassos minutos a chegar ao bairro. O atirador, que ainda ofereceu resistência, foi conduzido para a esquadra. A polícia apreendeu-lhe a caçadeira e 12 cartuchos.
Segundo fonte policial, o atirador, Nuno ‘Pombinho’, que está detido, será ainda hoje conduzido ao Tribunal de Instrução Criminal de Elvas onde será interrogado pelo juiz de turno.
"NINGUÉM MORREU POR MILAGRE"
Cláudia Silva estava com uma colega do café a descansar dentro da rulote da sua patroa, estacionada junto ao estabelecimento, quando ouviu os primeiros tiros. “Espreitei para ver o que se passava e vi o homem a disparar contra a minha patroa e a rulote. Escondemo-nos o melhor que pudemos, mas ainda fui atingida na barriga e nas pernas”, recorda Cláudia Silva, que tão cedo não irá esquecer os momentos de “terror” vividos naquele final de tarde. “Disparou mais de 10 tiros contra a rulote e durante alguns minutos só sentia os chumbos a bater na chapa e a passar junto a mim. Ninguém morreu por milagre.“
Cláudia sofreu apenas arranhões, mas a sua patroa teve mesmo que ser assistida no hospital da cidade. “Ela fugiu para trás da rulote e foi alvejada, com gravidade, no braço e no peito”, disse o marido, Isidoro do Carmo, que na altura do incidente estava fora de Elvas.
“Recebi uma chamada e regressei a Elvas. Quando vi a minha mulher nem queria acreditar. Estava toda cravadinha com bagos de chumbo, nove numa mama e 30 no braço. Se lhe tivesse acertado no peito já cá não estava”, disse. Isidoro do Carmo salientou ainda que o indivíduo “é problemático”, mas “nada fazia prever uma coisa destas.”
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