Carro tinha dispositivo que controla e regista todos os movimentos. Porta soltou-se e cantor bateu com a cabeça no asfalto. Lesão acabou por ser fatal.
Todos os movimentos do carro guiado por Angélico antes do choque fatal contra separador da A1, em Estarreja, que em Junho tirou a vida ao cantor e a um amigo, ficaram registados num dispositivo incorporado no BMW. Os registos não deixam dúvidas: o actor seguia a 253 km/h na altura do acidente.
Todos os mecanismos de segurança do carro foram accionados. A excessiva velocidade levou, no entanto, a que a porta do condutor se soltasse. Angélico bateu com a cabeça no asfalto, o que lhe provocou lesões irreversíveis. O registo dos últimos momentos está nas mãos de Augusto Fernandes, proprietário do stand. Só ele pode imprimir o relatório com os dados. O empresário tem consigo a chave do carro, onde está incorporado o dispositivo.
O Ministério Público também já pediu à BMW que faça uma vistoria ao carro, para perceber se tinha alguma anomalia. A marca recusou – alegando que não possui oficinas que possam inspeccionar o automóvel.
Para além da velocidade a que Angélico seguia, o dispositivo do carro permitiu ainda verificar que não houve uma desaceleração do BMW, ou seja, o cantor não chegou sequer a ter tempo de tentar travar, o que contraria a versão inicial apresentada por Hugo Pinto, sobrevivente que seguia ao lado do condutor. O carro terá entrado em despiste e, devido à velocidade, Angélico perdeu de imediato o controlo do automóvel, e sofreu um traumatismo cranioencefálico.
Durante a investigação feita pelo Núcleo de Investigação Criminal de Acidentes da GNR de Aveiro, foi possível concluir que Angélico conduzia de chinelos, o que constitui uma contra-ordenação do código da estrada, uma vez que se considera que a capacidade de o condutor controlar os movimentos do carro fica limitada. Os chinelos foram também já apreendidos como prova no inquérito.
CARRO SEGUIA PRATICAMENTE NOS LIMITES
O BMW 635 que Angélico conduzia tinha um limite de velocidade que lhe permitia ir até aos 260 km/h, mais 10 do que é habitual nos carros daquela marca. Angélico seguia praticamente no limite, o que poderá ter potenciado o acidente. O cantor tinha já confidenciado em várias entrevistas que adorava conduzir a altas velocidades, mostrando-se um aficcionado por carros com muita potência.
O BMW ao volante do qual o actor se despistou era de 2008 e tinha já 55 mil quilómetros. No site do stand Auguscar, estava à venda por mais de 85 mil euros. O potente carro tinha 286 cavalos e usava jantes não adequadas. Augusto Fernandes garantiu que Angélico sabia daquela alteração.
EXAMES REVELAM AUSÊNCIA DE DROGA E ÁLCOOL
Apesar de conduzir a uma velocidade excessiva, as análises revelaram que Angélico não tinham nem álcool nem drogas no sangue. Os exames ao jovem cantor foram feitos logo após este ter entrado no hospital , um procedimento que, ao que o CM apurou, é de rotina em caso de acidentes. Foi imediatamente afastada a hipótese de Angélico ter consumido substâncias ilícitas ou de estar alcoolizado no momento em que perdeu o controlo do carro a alta velocidade. Os amigos tinham também já afirmado que o cantor não costumava beber álcool.
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