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Correio da Manhã

Portugal
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ANTRAM e Governo sob mira entre quem espera e desespera devido à greve

Cerca de 150 motoristas mantiveram esta quarta-feira o piquete de greve em frente à refinaria de Leça da Palmeira, em Matosinhos.
17 de Abril de 2019 às 13:12
Longas filas nos postos de combustível
Longas filas nos postos de combustível
Longas filas nos postos de combustível
Filas intermináveis nas bombas de combustível param estradas de Portugal
Longas filas nos postos de combustível
Longas filas nos postos de combustível
Longas filas nos postos de combustível
Filas intermináveis nas bombas de combustível param estradas de Portugal
Longas filas nos postos de combustível
Longas filas nos postos de combustível
Longas filas nos postos de combustível
Filas intermináveis nas bombas de combustível param estradas de Portugal
Filas de carros nos postos de abastecimento onde ainda há gasóleo e quase nenhuns onde apenas resta a gasolina marcam o terceiro dia de greve dos motoristas de matérias perigosas no Porto, que mantêm Governo e ANTRAM sob mira.

Debaixo de uma chuva constante, cerca de 150 motoristas mantiveram esta quarta-feira o piquete de greve em frente à refinaria de Leça da Palmeira, em Matosinhos, descontentes com o resultado da reunião de terça-feira à noite e criticando a saída dos camiões com combustível "que não se destinam aos serviços mínimos" e o aparato policial, disse à Lusa o coordenador do sindicato, José Rego.

O dirigente sindical lamentou que da reunião não tenha saído "fumo branco" e acusou a Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) de "não cumprir" o pouco que foi acordado no encontro promovido pelo Governo.

"Eles [responsáveis da ANTRAM] estão habituados a mandar no país, no Governo, em tudo", acusou José Rego.

Explicando que os serviços mínimos "eram para começar, para o Grande Porto e Grande Lisboa, a seguir ao meio-dia", o sindicalista acusou o presidente da ANTRAM, Gustavo Duarte, de pouco depois das 09:00 "se ter apresentado" em Leça da Palmeira "com os camiões escoltados pela polícia paga pelos nossos impostos".

"Temos a garantia de que os camiões que saíram daqui não se destinam a serviços mínimos. Um é para Bragança, outro para Braga, outro para Estarreja, e um ou dois para o Porto. Sabemos também que está aqui um camião de fuel que vai para Torres Novas", frisou José Rego.

Para serem serviços mínimos, sublinhou, "os abastecimentos seriam para hospitais, forças de segurança, lares de terceira de idade e bombeiros".

Convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), a greve por tempo indeterminado continua a condicionar a vida de quem circula diariamente no Porto e arredores.

Na rotunda do Freixo, junto a uma das entradas no Porto, o posto de abastecimento da Galp mantinha a afluência de condutores iniciada a meio da tarde de terça-feira e que se prolongou madrugada dentro, confirmou à Lusa um funcionário.

Cá fora, no fim de uma fila de cerca de 30 carros, José Bernardo, de Valbom, no concelho vizinho de Gondomar, preparava-se para a segunda espera em dois dias para abastecer.

"Esta greve alterou-me e de que maneira a vida. Desde ontem [terça-feira] é a segunda vez que meto gasóleo. Ontem estive cerca de meia hora, logo a seguir ao almoço, e ao final da tarde já estava terrível", disse à Lusa, aguardando a sua vez ainda na via pública para entrar no posto de abastecimento.

Afirmando "desconhecer as motivações da greve" dos motoristas, José Bernardo mostrou-se, no entanto, convicto das consequências caso a paralisação se mantenha: "se a greve se prolongar vai ser muito complicado".

Enfatizando o facto de "fazer muitos quilómetros" por dia, o condutor considerou que se a greve continuar "o país vai parar", sendo um primeiro sinal disso o facto de a bomba onde normalmente abastece, em Valbom, "já não ter gasóleo".

Na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, no centro do Porto, um aviso no posto de abastecimento da BP escrito a mão informava que o gasóleo estava esgotado, assim explicando a ausência de filas de clientes.

Rosário Magalhães, parada naquele posto, disse à Lusa que a greve "não causou transtorno por estar de férias", mas admitiu que a situação possa ser "preocupante para quem trabalha e vá para fora nos próximos dias".

"O Governo impôs a requisição civil e os serviços mínimos estão garantidos, mas é sempre prejudicial", afirmou, chamando a atenção para os "muitos milhões de euros" que o Governo "vai arrecadar (...) com toda a gente a abastecer depósitos inteiros com medo que [a greve] dure".

A Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro) informou que não foi ainda retomado o abastecimento dos postos de combustível, apesar da requisição civil, e que já há marcas "praticamente" com a rede esgotada.

O primeiro-ministro admitiu alargar os serviços mínimos e adiantou que o abastecimento de combustível está "inteiramente assegurado" para aeroportos, forças de segurança e emergência.

Na terça-feira, alegando o não cumprimento dos serviços mínimos decretados, o Governo avançou com a requisição civil, definindo que até quinta-feira os trabalhadores a requisitar devem corresponder "aos que se disponibilizem para assegurar funções em serviços mínimos e, na sua ausência ou insuficiência, os que constem da escala de serviço".

No final da tarde de terça-feira, o Governo declarou a "situação de alerta" devido à greve, avançando com medidas excecionais para garantir os abastecimentos e, numa reunião durante a noite com a ANTRAM e o sindicato, foram definidos os serviços mínimos.

Militares da GNR estão de prevenção em vários pontos do país para que os camiões com combustível possam abastecer e sair dos parques sem afetarem a circulação rodoviária.
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