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Correio da Manhã

Portugal
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ASSALTO A CARRINHA FERE DOIS

Cinco homens e uma mulher assaltaram ontem uma carrinha de transporte de valores na Cruz de Pau, Seixal. Fazendo-se transportar em motos potentes, os gatunos atacaram um dos funcionários da carrinha, contra quem acabaram por fazer pelo menos dois disparos, que o atingiram de raspão.
11 de Outubro de 2003 às 00:00
 Na troca de tiros entre gatunos e a PSP, um dos pneus da carrinha foi furado
Na troca de tiros entre gatunos e a PSP, um dos pneus da carrinha foi furado
No entanto, os assaltantes acabaram por não levar dinheiro, graças a um agente da PSP que saía de serviço e que chegou mesmo a atingir um dos marginais com um tiro de pistola. A PJ investiga.
Tudo aconteceu pelas 12h40, altura em que uma carrinha da Prosegur estacionou junto à dependência do Banco Pinto e Sotto Mayor da Rua da Cordoaria, no centro da Cruz de Pau. Os dois ocupantes do veículo adoptaram o procedimento habitual, mantendo-se um no interior do mesmo, enquanto o outro saiu, com o intuito de recolher sacos de moedas expedidos pelos funcionários do banco.
No entanto, em poucos segundos, tudo se alterou. Cinco homens e uma mulher, repartidos por três potentes motos, vestidos de negro e com capacetes na cabeça, rodearam a carrinha, apanhando um dos tripulantes da viatura com um saco de moedas na mão. Agredido com um capacete, o funcionário da Prosegur, de 30 anos, foi mesmo alvo de dois disparos, que o atingiram de raspão na barriga e na perna direita.
Tudo parecia resolvido em favor dos gatunos, quando um agente da PSP da esquadra da Cruz de Pau, acabado de sair de serviço, passou na rua, de carro. Apercebendo- -se de que os ladrões fugiam na posse de um saco com dinheiro, o polícia abriu fogo com a arma de serviço, atingindo um dos gatunos, o que o obrigou a largar os valores.
As autoridades lançaram já um alerta para todos os hospitais, na tentativa de deter o assaltante.
PARECIA O INFERNO À SOLTA
Por muitos anos que viva, Maria Branquinho não se vai esquecer do que viu na tarde de ontem. “Tudo aconteceu depois de o meu marido estacionar a carrinha na Rua da Cordoaria. Logo a seguir vi um agente da PSP sair do carro e começar aos tiros, por cima da nossa carrinha, contra os assaltantes. Parecia o Inferno à solta”, recordou, ainda nervosa, a popular.
A troca de tiros trouxe, de facto, a confusão até uma das ruas centrais da Cruz de Pau. Para além de terem furado um dos pneus da carrinha da Prosegur, as balas danificaram ainda mais duas viaturas civis. Proprietária de um dos carros atingidos, Emília Cardoso sublinhou igualmente ao CM o “pânico” que sentiu ao ver-se perante uma autêntica cena de faroeste. “Estava numa pastelaria quando tudo aconteceu. Ao ouvir os tiros, a minha primeira preocupação foi o meu filho, que estava no banco. Quando vi que ele ficou bem, tive um grande alívio. O único problema foi um dos tiros disparados me ter danificado o farol frontal direito do jipe.Mas isso resolve-se”, explicou.
PJ ATENTA FAZ DETENÇÕES
A Polícia Judiciária tem estado particularmente atenta a este tipo de criminalidade. A 22 de Setembro a PJ do Porto anunciou a detenção de quatro homens – dos 22 aos 44 anos – após o assalto com troca de tiros a uma carrinha na Póvoa do Varzim. Já em Março, a Direcção Central de Combate ao Banditismo da PJ demantelou um grupo de oito jovens, na casa dos 20 anos, que desde Julho de 2002 assaltou à mão armada cerca de 20 carrinhas na Grande Lisboa. A PJ tem utilizado tácticas adequadas, optando, na maior parte das operações, por seguir dias a fio as carrinhas nos seus percursos, aproveitando as oportunidades para apanhar os assaltantes. Estes actuam quase sempre em grupo, ficando dois encarregues de realizar o assalto enquanto outros aguardam em carros de apoio, para proteger os ‘colegas’ caso algo corra mal.
POPULARES EM MEDO EM AGUALVA
No bairro da Anta, Agualva, Sintra, a manhã do dia 18 de Setembro começou tranquila. De um momento para o outro um homem de 33 anos, praticante de tiro desportivo, sacou de uma arma e assaltou o funcionário da Prosegur que saía com dois sacos de dinheiro do supermercado Pingo Doce. O segurança, de cerca de 30 anos, não desistiu e, aproveitando que a moto do assaltante não ‘pegou’, lançou-se a ele, tentando derrubá-lo e recuperar o dinheiro. O acto ‘valeu-lhe’ um tiro no braço. Aproveitando a confusão, dois populares aproximaram-se e conseguiram manietar o atirador no chão. Durante a luta o marginal ainda disparou pela segunda vez, ferindo de raspão na testa um reformado da GNR. Dez minutos depois era entregue à Polícia pelos populares. Ao assaltante foram apreendidas duas pistolas de 9 mm, dois carregadores com munições e uma faca do mato. Mais tarde, tal como o CM avançou, a PJ viria a apurar, numa busca à residência do assaltante, que o mesmo terá estado envolvido em 15 assaltos a bancos e carrinhas de valores.
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