Organização Mundial da Saúde confirmou até agora dois casos de hantavírus no cruzeiro e cinco casos suspeitos.
Como é o navio cruzeiro onde morreram três pessoas vítimas de surto de hantavírus?
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A Organização Mundial da Saúde e Espanha acordaram esta terça-feira numa nova avaliação por epidemiologistas no cruzeiro com hantavírus, de quarentena em Cabo Verde, para uma decisão sobre o eventual acolhimento do barco nas Canárias.
No final de uma reunião com uma equipa da Organização Mundial da Saúde (OMS) "acordou-se que esta tarde se fará uma inspeção do barco por uma equipa de epidemiologistas", disse o Ministério da Saúde espanhol, num comunicado divulgado nas redes sociais.
"Esta intervenção está destinada a conhecer o estado das pessoas dentro do barco e poder saber se há mais pessoas com sintomas, e que contactos de alto risco ou baixo risco há. Isto vai ajudar às decisões sobre os processos de repatriação e rota do barco", acrescentou.
Posteriormente, fontes do Ministério da Saúde esclareceram à Lusa que Espanha propôs que sejam retirados do barco em Cabo Verde os passageiros com sintomas de infeção com hantavírus, assim como os contactos de alto risco, e que o cruzeiro inicie viagem rumo aos Países Baixos, de onde é a empresa proprietária do navio, e só faça escala nas Canárias se surgirem entretanto novas necessidades de atenção clínica.
Para o Governo de Espanha, se saírem em Cabo Verde os casos sintomáticos e contactos de alto risco "não haverá motivo clínico" para "uma escala nas ilhas Canárias", a menos que surjam "novos casos sintomáticos durante o trajeto entre Cabo Verde e as ilhas Canárias".
Neste último cenário, "pelo princípio de prestação de socorro, estará justificada a atenção" no arquipélago espanhol, defendeu.
A OMS tinha já dito que o cruzeiro ia sair das águas de Cabo Verde e dirigir-se às Canárias, em Espanha, onde seria feita uma "investigação epidemiológica completa".
"Estamos a trabalhar com as autoridades espanholas, que vão acolher o navio, tal como nos comunicaram, e realizar uma investigação exaustiva, um investigação epidemiológica completa, uma desinfeção total do navio e, claro, avaliar o risco dos passageiros que se encontram a bordo", disse a diretora na OMS para a Prevenção de Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, numa conferência de imprensa em Genebra.
Depois destas declarações, o Governo espanhol disse que não estava ainda tomada uma decisão sobre uma escala nas Canárias, dependente de "dados epidemiológicos" recolhidos em Cabo Verde.
Ainda assim, a porta-voz do Governo, a ministra Elma Saiz, manifestou disponibilidade por parte de Espanha para responder às solicitações da OMS.
"Está a ser avaliada a situação com a Organização Mundial da Saúde. Vão tomar-se as medidas necessárias para abordar a situação", disse a ministra.
"Diria que tudo está preparado para a atenção, a avaliação e, se necessário, a desinfeção, se assim o pedir a OMS", disse a ministra, que deixou "uma mensagem de tranquilidade".
Já o presidente do governo regional das Canárias, Fernando Clavijo, defendeu que deve ser dada resposta ao barco e aos passageiros no local em que se encontram, em Cabo Verde, e que depois o navio deve seguir para os Países Baixos, sem parar nas ilhas espanholas.
"Se não há perigo para as pessoas e estão estabilizadas, o razoável é que o barco não faça mais nenhuma etapa entre Cabo Verde e Canárias", disse Clavijo.
"Se a Organização Mundial da Saúde quer outra coisa terá de o justificar porque obviamente é um assunto que nos preocupa muito. Não temos praticamente informação do vetor de contágio", acrescentou, sublinhando que qualquer atenção ou intervenção não deve ser feita "com todas as garantias para as pessoas que estão no barco, mas obviamente também para os habitantes das Canárias".
O navio, com 149 pessoas de 23 nacionalidades fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, de onde saiu a 20 de março, e as ilhas Canárias, com paragens no Atlântico Sul para turismo de observação da vida selvagem.
A OMS confirmou até agora dois casos de hantavírus no cruzeiro e cinco casos suspeitos.
Os dois casos confirmados são o de uma mulher que teve contacto próximo com o passageiro que morreu no dia 11 de abril e o de um passageiro que foi retirado do navio e transportado para Joanesburgo, onde está em estado grave nos cuidados intensivos.
Os cinco casos suspeitos são os dois passageiros que morreram em 11 de abril (um homem) e 02 de maio (uma mulher) e três que estão a bordo com sintomas gastrointestinais e/ou febre alta, dois deles elementos da tripulação.
Os hantavírus podem passar de animais para humanos, geralmente quando as pessoas inalam poeira ou minúsculas partículas expelidas pela urina, fezes ou saliva de roedores infetados, particularmente em locais fechados ou mal ventilados.
Nas Américas, alguns hantavírus podem causar a síndrome pulmonar por hantavírus, uma doença grave caracterizada por febre e sintomas gerais, seguidos por insuficiência respiratória aguda.
A maioria dos hantavírus não se transmite de pessoa para pessoa. A exceção é o vírus Andes, relatado principalmente em partes da América do Sul e que já mostrou conseguir espalhar-se entre humanos.
Ainda se desconhece a origem da infeção neste cruzeiro, assim como o hantavírus específico envolvido.
A OMS avalia atualmente como baixo o risco para a população global decorrente deste surto.
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