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Partilhas de milhões e ciúmes fizeram ontem dois homens perder a cabeça. Mataram mulheres a tiro e à facada. Um em frente a um bebé de dois anos, outro no dia do casamento do filho.
Passadas longas negociações, Patrícia Figueiredo, 27 anos, tinha chegado a um acordo com o irmão, cinco anos mais novo, para a divisão da herança familiar – avaliada em largos milhões de euros. O marido não gostou e assassinou-a a tiros de caçadeira dentro da Quinta da Junceira, no Cadaval, na madrugada de ontem. O filho bebé do casal, de dois anos, assistiu a tudo.
Também ontem, em Stª Maria de Lamas, Feira, um homem de 51 anos matou a mulher, 46, à facada, no dia do casamento do filho.
No Cadaval, o ambiente era de consternação. "Vi logo que ele era malandro, nunca pensei é que fosse assassino", diz Joaquim Ventura, tio da vítima. O crime ocorreu pelas 00h20. Depois de disparar três tiros sobre a companheira, Pedro Ouro, 35 anos, pegou no filho, foi até ao posto da GNR do Cadaval e entregou-se: "Matei a minha mulher", disse aos militares.
As autoridades accionaram os bombeiros, mas quando estes chegaram à quinta da família a vítima já não apresentava sinais de vida. Tinha ferimentos na zona do tórax e do abdómen. Patrícia e Pedro estavam juntos "há cerca de quatro anos". Após a morte da mãe da vítima, segundo os familiares, o homicida tomou conta da gestão da Quinta da Junceira – que tem 83 hectares – e fez com que Patrícia Figueiredo se afastasse da família. "No dia do funeral, ele disse logo que agora ia passar a mandar outro Deus. Não gostei da atitude e afastei-me", diz outro tio da vítima, António Ferreira.
Patrícia já tinha dado sinais de que "a relação não andava bem", mas ninguém esperava este desfecho. "Ele agarrou-se a ela pelo que ela tinha", conclui Joaquim Ventura.
ESPANCADA E ARRASTADA NO CONTINENTE
Uma mulher com cerca de 30 anos foi ontem à tarde brutalmente agredida pelo companheiro em pleno hipermercado Continente, na Amadora.
De acordo com testemunhas, o agressor, com cerca de 30 anos, espancou-a e arrastou-a pelo chão por largos metros. A vítima, que estava "completamente ensanguentada", confessou aos agentes da PSP que é um alvo constante de agressões por parte do seu companheiro de há oito anos – tendo sido, inclusive, agredida durante a gravidez.
Um funcionário que tentou separar o casal foi também agredido e um dos seguranças ameaçado de morte pelo homem, que tem em casa várias armas de fogo e que fugiu antes de a PSP chegar ao local.
CASA FILHO E MORRE COM ONZE FACADAS
Agostinho Mendes Santos, de 51 anos, esperou pelo final do casamento do filho e, depois da festa, assassinou em plena rua com 11 facadas a mulher, Maria Glória Monteiro, 46 anos, por suspeitar que a vítima tivesse um amante. Os vizinhos do Bairro da Cantina, em Santa Maria de Lamas, Feira, assistiram ao crime, às 03h30 de ontem.
"Ouvimos gritos horríveis, viemos ver o que se passava, mas já não fomos a tempo de a salvar, porque ele já a tinha esfaqueado, explicou ao CM a vizinha Susana Rios. "Não consigo esquecer os gritos dela a suplicar ao marido para parar. São imagens que não me saem da cabeça, foi horroroso". De imediato, os moradores saíram à rua. Uns tentavam socorrer a vítima, outros tentaram apanhar o assassino, que fugiu a pé, entregando-se depois na GNR.
"Tentámos aproximar-nos, mas ele apontou-nos a faca e não conseguimos chegar perto", contou Luís Miguel. O homicida caminhou em direcção ao local onde a mulher estava prostrada e pousou uma outra faca que não chegou a usar.
TELEFONOU AO FILHO RECÉM-CASADO PARA LHE DIZER QUE IA MATAR A MÃE
Antes de consumar o crime, cerca das 03h00, Agostinho Mendes telefonou ao filho Hugo, recém-casado, para lhe anunciar a morte da mãe. "A tua mãe vai encontrar-se com um homem em S. Paio de Oleiros e eu vou matá-la", disse o homicida. Pouco depois, Agostinho voltou a telefonar ao filho: "Estou em casa com a tua mãe e vou matá-la, se vieres aqui, também te mato". Assustado, Hugo entrou no carro e foi pedir ajuda ao posto da GNR, mas já era tarde. Foi aí que soube que as ameaças do pai eram a sério. Momentos depois, Agostinho voltou a ligar ao filho: "Já soubeste o que fiz à tua mãe?", perguntou.
ESFAQUEIA-SE NO PEITO DEPOIS DE DISCUTIR COM A COMPANHEIRA
Rodolfo Pinheiro, um talhante de 64 anos, esfaqueou-se no peito, ontem de madrugada, após uma acesa discussão com a companheira, Laurentina Tavares, na casa de férias de ambos, em Mourio, Vale de Cambra. A facada perfurou um pulmão e o homem continuava internado no Hospital de Santa Maria da Feira. "Eles discutiram por causa de dinheiro. Ele já estava meio bêbedo e agarrou na faca a dizer que queria morrer. A mulher não ligou e ele acabou por se esfaquear", disse ao CM um dos amigos da vítima. O casal mantém uma relação há cerca de cinco anos e está em Vale de Cambra de férias.
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