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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Assassinou e pôs corpo em caixote

Quase um ano depois de ter assassinado a ex-namorada por asfixia, murro e pontapé, no seu apartamento em Telheiras, Lisboa, e de ter colocado o corpo num caixote do lixo, André C., estudante de Psicologia de 25 anos, começa hoje a ser julgado no Tribunal da Boa-Hora.

26 de setembro de 2006 às 00:00

É acusado de homicídio qualificado e profanação de cadáver e incorre numa pena até 25 anos.

O crime remonta a 1 de Outubro, quando Ana F., estudante universitária de Línguas Estrangeiras Aplicadas, foi a casa do ex-namorado. O casal conhecera-se no Alentejo, onde nasceu. Os amigos dizem que, apesar de já não namorarem, mantinham uma relação forte. Segundo a acusação do Ministério Público (MP), a que o CM teve acesso, Ana e André discutiram. André iniciou “uma série de violentos murros e pontapés no corpo da vítima, com especial incidência na cabeça, esganando-a”.

A autópsia revela que Ana morreu de asfixia por esganadura associada a lesões cerebrais – provocadas “por acção múltipla e violenta” de um instrumento contundente.

Quando André se apercebeu da morte da rapariga, colocou-a dentro de um caixote do lixo municipal que foi buscar à rua para ocultar o corpo. Ainda regou o cadáver com álcool e ateou fogo. O MP acusa André, em prisão preventiva na cadeia anexa à PJ, de ter agido de “forma livre, deliberada e consciente”. Ele contesta: afirma que convidou Ana para comemorar ter sido seleccionado para um concurso televisivo. Consumiu heroína e cocaína e ela haxixe – informação que a autópsia não comprova. Ambos terão iniciado rituais das “habituais práticas sexuais sadomasoquistas”. André revela que os dois se agrediam, mas com o cuidado de não deixar marcas físicas. Naquele dia, André alega que Ana, “bastante excitada”, pediu que a apertasse mais no pescoço. Quando a sentiu inerte, esbofeteou-a para que acordasse. Diz que o homicídio foi negligente.

O corpo de Ana entrou no Instituto de Medicina Legal de calças de ganga com cinto de couro e de cuecas – “sem rasgões nem manchas suspeitas”. A autópsia não revela lesões recentes no útero e genitais, mas foram feitas colheitas para pesquisa de espermatezóides. Os resultados não são conhecidos, pelo que não há certeza que tenha, ou não, havido relações sexuais.

UM MILHÃO PARA CARIDADE

Os pais da vítima, representados pelo advogado António Colaço, pedem uma indemnização de um milhão de euros: 200 mil euros pelo sofrimento da vítima, 500 mil pela forma como foi cometido o crime e 300 mil pelo sofrimento causado aos pais, lê-se no pedido de indemnização cível a que o CM teve acesso. Metade do dinheiro reverterá para a paróquia de Santa Maria, em Estremoz, e a outra parte será distribuída por outras instituições de solidariedade social.

CONTESTAÇÃO

Na contestação da acusação do Ministério Público, André alega ter ficado desesperado quando viu que Ana estava morta o que o levou a consumir o resto das drogas que tinha em casa.

JULGAMENTO

O representante de André, o advogado João Correia, pediu que o julgamento fosse realizado à porta fechada e que fosse feito um exame no local do crime, para além de testes de personalidade.

VIOLENTO

Em Vila Viçosa, André era tido como violento. Filho de um professor de Educação Visual e da secretária do presidente de câmara, tinha antecedentes criminais por roubo.

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