O ódio à polícia de Quedansau Correia, caçado domingo de madrugada por novas suspeitas de venda de droga, fez com que o guineense agredisse a soco o agente que o revistava, na rua cidade de Madrid, em Agualva, no Cacém, Sintra. Detido, estava lançado o rastilho para a violência que se seguiu – com 20 amigos do traficante a tentarem invadir a esquadra, ferindo outro polícia à pedrada na cabeça. Queriam libertar o preso – o que aconteceu ontem, mas por ordem do juiz.<br/><br/>
Tráfico de droga, crimes contra o património e contra a autoridade, auxílio à imigração ilegal e condução sem carta são algumas das referências na ficha do homem de 27 anos. Mede mais de dois metros e é conhecido por agressões em bares e discotecas. Os encontros com a polícia descambam quase sempre em violência contra os agentes – e domingo não foi excepção.
Entrou na esquadra do Cacém, detido, pelas 00h40. E pouco depois tinha o apoio de 20 cúmplices, que se dirigiram à PSP para entrar e agredir os polícias de serviço. Ontem, fonte oficial da PSP confirmou ao CM que foi necessário o envio de reforços e a criação de um perímetro de segurança. Os vândalos recuaram, mas pegaram em pedras da calçada e lançaram contra as instalações, partindo os vidros da esquadra. Uma das pedras acertou na cabeça de um agente. O reforço policial só desmobilizou já a meio da manhã de domingo.
Os autores do crime foram apenas identificados e notificados para se apresentarem em tribunal. Quanto a Quedansau foi ouvido por um juiz ontem de manhã, no Tribunal de Sintra, e acabou em liberdade, sujeito a apresentações periódicas precisamente na esquadra do Cacém.
A Quedansau, que esteve na origem de mais um ataque violento a polícias e a instalações policiais, não é conhecida qualquer actividade profissional.
"MAIS PARECIA AS FAVELAS DO BRASIL"
"Isto de madrugada mais parecia as favelas do Brasil. O que valeu foi os reforços que a PSP mandou para proteger a esquadra". Foi desta forma que uma testemunha descreveu a tentativa de invasão à esquadra do Cacém, para onde o detido foi levado depois de ter reagido com violência à revista pelos polícias na rua Cidade de Madrid. "Eram mais de vinte a insultar os polícias e a gritar para libertarem o amigo", acrescentou. Na rua onde o guineense de 27 anos foi detido todos o conhecem pela violência que utiliza sempre que é confrontado por agentes de autoridade e ainda pelas agressões graves de que é suspeito, sobretudo em bares e discotecas. "Normalmente ele anda armado com facas e navalhas", conclui a mesma fonte.
"HÁ LOCAIS COM APENAS DOIS OU TRÊS POLÍCIAS"
As esquadras da PSP são com frequência alvo de ataques de gangs. Há menos de uma semana, as instalações da esquadra da Bela Vista, em Setúbal, foram atacadas com cocktails molotov. Também o carro de um agente foi incendiado quando estava estacionado à porta da esquadra. "Há uma grande dificuldade de as esquadras garantirem segurança quando só lá têm dois ou três polícias", diz António Ramos, presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia. No Verão, uma esquadra em Chelas foi também atacada. Só estavam dois agentes.
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