Não há crise que abata a alegria "alfacinha". Entre os marchantes que ontem desfilaram na avenida da Liberdade havia muitos desempregados. Um deles, Alfredo Brandão, 55 anos, aguadeiro na Marcha do Lumiar, nem se lembrava do problema.
Depois de dois anos com a Mouraria, este lisboeta nascido em Alfama e residente nos Olivais avançou com a alegria de sempre. 'Sou ajudante de motorista há mais de 20 anos e agora estou limitado a um ou dois biscates por semana, conta. Trabalho e animação não faltaram. Joca, que desde há quatro anos faz a maquilhagem do Bairro Alto, trabalhou sem parar desde o meio-dia a pintar os rostos dos fidalgos e damas. 'A nossa marcha é linda', diz a marchante Joana Nascimento, 23 anos.
Da aristocrata Inglaterra, Rachel e Paul Waller, residentes em Brigthon, e de férias no Algarve vieram ver as festas. 'É mais animado do que o Carnaval de Notting Hill, em Londres, relataram. Entre a muita assistência – a organização estima mais de cem mil pessoas –, Elisa Boaventura assume a sua paixão pela Mouraria e Isaura Pereira vibrava pela Graça, onde viveu. Aos gritos de 'Ié, ié, é' e a 'A marcha é linda', o público incentivava os marchantes. O desfile começou com os convidados especiais (Agrupamento do Carnaval de Barranquila e Marcha de S. João das Lampas) e prosseguiu noite dentro, com 22 colectividades.
As crianças da Voz do Operário (participam extra-concurso) descem a avenida sob uma chuva de palmas. Eles iam de jardineiros e elas de flores. Lembraram os jardins de Lisboa e despediram-se sorrindo. Chega a vez dos comerciantes dos Mercados (também participam extra-concurso). Mais uma vez, ecoam palmas na avenida. Em tons de preto, verde e branco os marchantes lembraram os mercados de Lisboa.
LUMIAR: Com um figurino colorido (roupas às riscas brancas e pretas fazendo conjunto com o vermelho e verde da bandeira nacional), o Lumiar levou coretos nos arcos.
BEATO: É a vez do Beato, que numa paleta de cores passeou a sua alegria pela avenida mostrando artistas e paixões.
CARNIDE: Marchou com pipas e lembrou algumas profissões, como os amola-tesouras.
BAIRRO ALTO: Fazendo lembrar o filme 'O Fantasma da Ópera', os marchantes, mascarados, recordaram os fidalgos e damas do século XVIII. Despedem-se com uma coreografia onde imperam os leques. A música do "cavalinho" prima pela originalidade.
MADRAGOA: Marcha descalça, como é tradição do bairro. Nos arcos, peixes e relógios (assinalando o tempo de mudança). E aqueceram a avenida quando dançaram o Vira.
SANTA ENGRÁCIA: Desce a avenida com belos arcos, onde se viam cornucópias, flores, fruta e pão.
BENFICA: De regresso às Marchas, lembrou o amanho da terra. Com arcos em forma de abóbora marcharam com garra. Ana Bacalhau, vocalista dos Deolinda, estreou-se como madrinha.
S. VICENTE: A Marcha desce a avenida com uma réplica do eléctrico 28, que passa pelo coração do bairro. Nos arcos, mostrou as casas do bairro. Branco e amarelo foram as cores dominantes.
MARVILA: De branco e preto vestidos, os marchantes prestaram homenagem aos calceteiros de Lisboa. Não faltaram os malhos e martelos. Nos arcos, bancos de jardim. Viveu-se um momento terno quando as mascotes deram as mãos e se sentaram no trono de Santo António.
BAIXA: Com música e letra de Nuno Nazareth Fernandes, a Baixa gritou 'Viva a República'. O vermelho e verde dominaram as cores. Nos arcos, a esfera armilar. Eles, representando o Zé Povinho levaram espingardas. Momento alto quando juntaram duas faixas (verde e vermelho), numa bandeira portuguesa gigante.
CASTELO: Com o tema 'Castelo meu namorado', a Marcha mostou figurinos alusivos ao amor. Nas saias, dominavam os motivos dos tradicionais lenços de namorados.
OLIVAIS: Comemoraram os 100 anos de implantação da República, com muita harmonia, cor e alegria. Ao abrirem um livro gigante, onde se lia "Olivais, Portugal Renascido", os marchantes fizeram sucesso.
BICA: Aguadeiros e vendedeiras de flores, lembraram o passado do bairro. Os arcos eram em forma de cesta gigante, com flores. Momento alto quando a Marcha mostrou uma réplica do emblemático elevador, que transportava marchantes.
BELA FLOR: Elas de verde e vermelho e barrete frígio e eles de azul, representaram a República e a Monarquia.
GRAÇA: A Marcha desceu a avenida levando como tema a República. Elas iam de verde e vermelho, com uma grane faixa azul e flors no cabelo. Eles, evocaram o período anterior, a Monarquia, com o azul e branco. De calça preta e cartola, deram as mãos às republicanas.
ALFAMA: O dourado delas e o azul deles encheu a Marcha. Nos arcos, corações em forma de filigrana. Marcham com garra e cantam a uma só voz: "Alfama vem hoje à rua, De cabeça levantada, Quer fazer inveja à lua de filigrana enfeitada. Cinha Jardim, a madrinha dos últimos anos, também cantou bem alto. Ao lado, Carlos Mendonça, o antigo ensaiador que venceu vários títulos com Alfama, estreou-se como padrinho.
ALTO DO PINA: Engalanado, mostrou damas e fidalgos. Eles iam de fidalgos do século XVII e elas de damas burguesas. O público rendeu uma salva de palmas em memória de Beto, o padrinho que faleceu recentemente.
ALCÂNTARA: Filigrana de arte fina, no coração de uma varina foi o tema. Nos arcos, mostraram caravelas finas. O padrinho Miguel Dias lembrou que a sua avó foi marchante em Alcântara. A Marcha cantou "A Portuguesa" e empolgou a multidão. Uma bandeira gigante fez sucesso.
PENHA DE FRANÇA: A Penha de França está de volta às Festas nos 500 anos da conquista de Goa. A Marcha centrou-se nos Descobrimentos, dando especial relevo à Índia.
MOURARIA: Encerrou o desfile, sempre castiça e bairrista. As raízes mouriscas e o fado estiveram presentes.
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