page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

Bancário Paulo Neves diz que ex-juiz prometeu "partilhar comissões" pelos negócios imobiliários

Na primeira sessão de julgamento do processo – que tem ao todo 10 arguidos – Paulo Neves assumiu que apresentou José Pires, prospetor de mercado da Aldi, a Hélder Claro.

30 de abril de 2026 às 13:23

Paulo Neves, um funcionário bancário já reformado, alegou esta quinta-feira em tribunal que serviu de intermediário em negócios imobiliários, que envolviam o então juiz, Hélder Claro, agora julgado por corrupção. 

Na primeira sessão de julgamento do processo – que tem ao todo 10 arguidos – Paulo Neves assumiu que apresentou José Pires, prospetor de mercado da Aldi, a Hélder Claro. Por esse contacto, que valeu negócios imobiliários, o ex-juiz terá feito uma promessa. 

“Há um dia em que eu vou tomar um café com o Dr. Hélder e ele diz-me que o contacto que lhe dei é muito bom, com pernas para andar. Ele aí diz “se concretizar-se, o Dr. Carlos Moura Guedes vai dar-lhe 10 mil euros”. Falou em partilhar 50 mil euros com o José Pires. Disse que tinha umas comissões para partilhar”, alegou Paulo Neves. 

Hélder Claro era, segundo a acusação, sócio oculto da empresa ‘Imopartner’ de Carlos Moura Guedes. Diz o Ministério Público que com a venda de terrenos para a instalação de supermercados ‘Aldi’ em Valongo e Matosinhos, estes dois arguidos conseguiram uma vantagem criminosa de 1 milhão de euros. 

“Tivemos uma reunião e o Dr. Hélder disse: ‘olha José Pires há aí umas comissões para partilhar. Para o Paulo, 10 mil euros, e para si uma comissão de 50 mil euros por cada negócio’. O José Pires ficou surpreendido e disse: ‘eu não quero saber disso, isso é com você’. E depois mudou de tema para a parte técnica”, recordou o antigo bancário, que deu conta que José Pires lhe disse que não queria receber nada. 

A promessa terá sido feita em 2019, mas nos anos seguintes nada foi entregue. Paulo Neves disse que chegou a perder a esperança e que contactou depois Carlos Moura Guedes, já no início de 2023. “Eu falei com ele da promessa dos 10 mil euros. O Carlos Moura Guedes disse-me que estava de relações cortadas com o Dr. Hélder, disse-me: eu não prometi nada”, afirmou. 

Por estes negócios, Hélder Claro está acusado de corrupção ativa no setor privado. Responde ainda por mais 18 crimes.  

O antigo magistrado - que foi expulso da magistratura em 2024 - é ainda suspeito de ter angariado sete mulheres do Brasil para trabalharem num bar de alterne, no Porto. Também é acusado de estar envolvido em esquemas que envolviam cartões bancários furtados, crimes nos quais terá tido ligações a Alberto Couto, agora preso por tráfico de droga.   

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8