Cerca de cem alunos do 7.º Ano da Escola Secundária do Restelo (ESR) ainda só tiveram um mês e meio de aulas de Português desde Setembro. A professora tem apresentado vários atestados médicos de curta duração, o que inviabiliza a contratação de substitutos.
Pais e sindicatos sugerem a criação de bolsas de professores para combater as faltas dos docentes e permitir as aulas de substituição.
O conselho executivo da ESR enviou uma circular aos pais, a explicar o motivo de os alunos do 7.º Ano praticamente não terem Português desde o início do ano lectivo.
”A professora tem apresentado vários atestados médicos de curta duração. Até Fevereiro deu 32 faltas e só aí é que pôs atestado de 30 dias e a escola conseguiu arranjar substituta. Quando começaram as férias da Páscoa ela veio trabalhar”, disse Ana Cid, da Associação de Pais. Nos casos de atestados de menos de 30 dias, as escolas não podem contratar professores substitutos, pois não é permitido contratar por períodos inferiores a um mês.
Após as férias da Páscoa, a professora voltou a apresentar um atestado, de 30 dias. Os estudantes só voltaram a ter aulas há uma semana, com outra substituta. “Devia haver uma solução para evitar esta situação”, refere Ana Cid.
A denúncia deste caso surgiu no dia em que a ministra da Educação , Maria de Lurdes Rodrigues, anunciou que os professores que faltem devem deixar aulas preparadas para a sua substituição. A governante ressalvou que as aulas preparadas deverão ser dadas por docentes da mesma área. “Quando não acontecer, tem de haver lugar a outras actividades pedagógicas que não a substituição da aula prevista no calendário”, disse a ministra, na manhã de ontem. O dirigente da Fenprof Augusto Pascoal garantiu que “os professores já preparam as aulas” e que se as substituições não funcionam “é porque há falta de docentes nas escolas”.
João Dias da Silva, secretário-geral da FNE, disse que “se os professores têm direito a faltar, os alunos têm direito a ter aulas”. A solução para permitir substituições imediatas pode ser a criação de um “corpo de professores de apoio, sem turma, em grupos de escola, concelhos ou zonas, para acompanhamento educativo”.
O CM tentou obter mais informações do Ministério da Educação sobre o assunto, mas o assessor da ministra mostrou-se indisponível para esclarecimentos.
'BALDAS' FUMAM MAS NÃO BEBEM
Um terço dos alunos que falta às aulas fuma mas a grande maioria não consome drogas nem álcool. Esta é uma das conclusões de um estudo sobre absentismo e o abandono escolar, do 1.º Ciclo ao Secundário, realizado por investigadores da Universidade Autónoma de Lisboa. O trabalho, que reúne dados de 78 escolas, baseia-se numa amostra de 557 alunos faltosos, a maioria rapazes, e mostra que um em cada seis alunos ‘baldas’ consome álcool e 6,6 por cento consome drogas ilícitas. A maior incidência de hábitos de consumo de substâncias ocorre nos alunos do 2.º e 3.º ciclos. No entanto, 2,6 por cento dos alunos absentistas do 1.º Ciclo consome álcool e 11,5 por cento fuma. Sete por cento dos que faltaram às aulas em 2004/05 já tinham sido identificados pela Polícia por práticas delinquentes. O estudo defende que o combate ao absentismo deve envolver escola, serviços sociais e comissões de menores.
MILHÕES DE FALTAS
O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, apontou em Novembro o dedo aos professores: em 2004/05 perderam-se entre 7,5 a nove milhões de aulas. Os sindicatos desvalorizaram: são apenas cinco por cento das 150 milhões de aulas anuais.
CINCO NUM MÊS
Os alunos do 2.º Ano de uma escola do 1.º Ciclo em Portalegre tiveram cinco professores diferentes num mês, entre Novembro e Dezembro.
CASO RARO NO RESTELO
A apresentação de atestados médicos consecutivos é considerado pelo Conselho Executivo da Secundária do Restelo um “caso raro”, numa escola que tem repetido lugares de topo no ‘ranking’ das escolas.
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