A empresa TramCroNe – Promoções e Projectos Imobiliários (TCN) apresentou uma queixa, por burla, contra Ruy Manuel Silva, empresário português residente em Londres (Inglaterra), que se dizia representante de investidores britânicos quando apresentou uma proposta de “mais de 26 milhões de euros” para a compra de dois imóveis em Lisboa, um deles o n.º 18 da Avenida da República, que, na altura (Dezembro de 2003), era propriedade dos CTT.
A TCN informou os Correios de Portugal da intenção de Ruy Manuel Silva e avançou para a compra do edifício, aceitando pagar o que a empresa liderada por Carlos Horta e Costa pretendia: 12,5 milhões de euros. E, através da Demagre – Compra de Imóveis para Revenda – que, tal como a TCN, pertence à holding MG Plus SGPS –, entregou aos CTT um cheque no valor do montante que ficou acordado.
Júlio Macedo, presidente do conselho de administração da TCN e da Demagre, adiantou ontem ao CM que os CTT sabiam que estavam a receber um “cheque de boa-fé”.
E observou: “O conselho de administração dos CTT estava a par de toda a situação. Sabia que nós íamos comprar o edifício em nomes dos ingleses. E foi então que apresentámos um cheque de boa-fé, à espera que o dinheiro dos ingleses chegasse. Nunca chegou. Mas como havia um protocolo de entendimento, o cheque foi devolvido à Demagre, embora tivesse chegado a ser depositado. Não se pode dizer, por isso, que a empresa tivesse passado um cheque careca.”
Júlio Macedo frisou, ainda, que Ruy Manuel Silva entregou à TCN um cheque de “valor superior” a 26 milhões de euros. “Quando pedimos ao Banco Comercial Português para o testar, disseram-nos que a conta em questão tinha sido extinta. Já não existia. Confrontámos o senhor Ruy Manuel Silva com essa informação e ele, entre outros argumentos pouco plausíveis, respondeu-nos que se tinha enganado na conta.”
E acrescentou: “Perante o que sucedeu, recorremos à Interpol, na dependência de Limehouse, nos arredores de Londres, fizemos outras diligências em Inglaterra e apresentámos queixa, por burla, na Polícia Judiciária contra o senhor Ruy Silva e outras duas pessoas.”
A concluir, Júlio Macedo lamentou a “lentidão” da Justiça portuguesa: “A queixa foi apresentada, salvo erro, em Janeiro de 2004 e, que eu saiba, mais de dois anos depois ainda não foi deduzida acusação. Soube que a Interpol enviou para a PJ um mandado de captura em nome de Ruy Manuel Silva, que nunca chegou a ser concretizado. Esse senhor continua à solta.”
Nos dois últimos dias, o CM tentou contactar Ruy Manuel Silva através dos telefones que o próprio forneceu a algumas pessoas envolvidas no caso do prédio dos CTT da Avenida da República, em Lisboa. O empresário teve sempre os telefones desligados.
O CM tentou também contactar Carlos Horta e Costa, o que não foi possível até ao fecho desta edição.
PJ CONSTITUI TRÊS ARGUIDOS
Além de Ruy Manuel Silva, a TCN apresentou também queixa por burla contra Adelina Franco e o filho Paulo Baltazar. Na altura, ambos trabalhavam para a empresa e foi Adelina Franco quem apresentou Ruy Silva a Júlio Macedo.
Paulo Baltazar adiantou ao CM que nada teve a ver com a actuação de Ruy Silva: “Não compreendo que possa ser acusado de ter cometido qualquer burla. Não tenho nada a ver com os negócios em que esse senhor se envolveu com a TCN.”
Já Adelina Franco confirmou ao CM ter apresentado Ruy Silva aos responsáveis da TCN: “Perguntaram-me se eu conhecia alguém que fizesse empresas no estrangeiro e eu indiquei o senhor Ruy Manuel Silva. Nada mais fiz. Não tenho rigorosamente nada a ver com o facto de Ruy Silva ter enganado a TCN. Mais, eu também fui lesada por esse senhor. E já disse isto tudo à Polícia Judiciária.”
CÂMARA DE LISBOA CHUMBA HOTEL
A TCN/Demagre queria transformar o prédio do n.º 18 da Avenida da República num hotel, ideia que foi chumbada pela Câmara Municipal de Lisboa.
Júlio Macedo adiantou que quando soube de tal impossibilidade, a Demagre informou os CTT que não queria o edifício.
“Mas fizemos um protocolo de entendimento que, em traços gerais, dizia que se fosse vendido por mais de 12,5 milhões – valor estipulado pelos CTT – o diferencial seria dividido por ambas as entidades. Acabou por ser vendido a terceiros (a empresa espanhola Azata), exactamente por essa verba. A Demagre nada ganhou”, acrescentou.
EDIFÍCIO TEM ÁREA TOTAL DE 10442M2
O edifício n.º 18 da Avenida da República, em Lisboa, foi construído em 1978, tendo uma área bruta acima do solo de 6916 metros quadrados e abaixo do solo de 3530 m2, num total de 10 446. Tem 15 andares e cinco caves, incluindo uma loja e subloja com acesso directo para a rua. Antes de ser vendido, os Correios de Portugal avançaram com uma remodelação geral do prédio que custou mais de cinco milhões de euros.
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