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Cães matam mulher

Na manhã fria de ontem, Vira Chudnenko, de 60 anos, imigrante ucraniana, foi atacada até à morte por quatro cães Rottweiler, um macho e três fêmeas, num caminho de terra batida, a cem metros de casa, num lugar ermo do Casal da Granja do Bicho, Várzea de Sintra.

22 de março de 2007 às 00:00

Os cães terão fugido e uma vivenda ainda em construção, onde serviam para guarda. O dono dos animais – cuja identidade não foi divulgada, assim como a legalidade dos animais – colaborou com as autoridades na captura dos cães, que serão agora abatidos. As autoridades investigam o porquê dos cães andarem à solta.

Vira Chudnenko não fora trabalhar para ir ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, em Cascais, tratar de assuntos ligados à sua situação legal no nosso país.

Várias pessoas que se aperceberam do ataque dos canídeos alertaram as autoridades. No caso do INEM, a chamada foi feita pelas 07h00 por um condutor que passou na estrada e se apercebeu da mulher a ser mordida pelos cães. Foram activados os Bombeiros Voluntários de S. Pedro de Sintra.

“Quando chegámos ao local a mulher estava estendida no chão, toda mordida, e os cães de guarda ao pé dela”, disse ao CM um bombeiro. A PSP, também chamada, acabou por afastar os animais a tiro, para poder ser feito o socorro.

Pelas 08h30, Vira Chudnenko foi finalmente colocada numa ambulância dos bombeiros e cerca de meia hora depois foi dada oficialmente como morta. O corpo só foi retirado do local pelas 12h00, depois de cumpridas as formalidades legais, e levado para a morgue.

Ao que tudo indica, os animais escaparam do canil da casa na povoação de Carrascal, atravessaram por um sendeiro o vale e o córrego de água que está entre esta localidade e o Casal da Granja, onde atacaram a mulher. Os animais, assustados com os disparos dos agentes da PSP, fugiram de regresso a casa, onde posteriormente foram capturados e levados para o Canil Municipal de Sintra.

O comandante da Polícia Municipal de Sintra, Carvalho da Silva, disse que os cães, guardados à ordem do Ministério Público, serão abatidos, segundo o que determina a lei para qualquer animal deste tipo que cause ofensa grave. As autoridades investigam as circunstâncias em que os cães fugiram da casa onde estavam e o seu dono poderá ser acusado de homicídio negligente, por falta do ‘dever especial de vigilância’.

A morte da imigrante, casada com um português, chocou a população da Várzea. “Chamávamos-lhe Verónica, porque aqui na empresa já havia outra imigrante com esse nome. Era uma mulher muito calada, mas muito activa e diariamente vinha na sua bicicleta azul para o trabalho”, contou ao nosso jornal uma companheira de trabalho da vítima numa empresa hortícola da região, onde esta trabalhava há alguns meses.

O marido de Vira Chudnenko, pedreiro numa obra na praia Grande, só ao princípio da tarde soube pela mãe do fim trágico da mulher e dirigiu-se ao posto da PSP de Sintra, onde teve a confirmação da notícia, ficando visivelmente abalado.

HÁ SEIS ANOS EM PORTUGAL

Vira Chudnenko nasceu a 7 de Junho de 1947 e, embora naturalizada ucraniana, viveu quase toda a sua vida numa cidade nos arredores de Moscovo.

Casou e teve um filho, mas tanto o marido como o descendente morreram, pelo que ficou sozinha.

Depois de enviuvar, e há cerca de seis anos, decidiu imigrar para Portugal.

No nosso país viveu durante alguns anos com Fernando Correia, com quem veio a casar-se a 23 de Janeiro do ano passado. Há menos de um ano que trabalhava numa empresa de produção e distribuição de produtos hortícolas no concelho de Sintra, onde era muito estimada e admirada pela sua energia.

Os colegas de trabalho salientavam que a mulher, apesar da idade, ia para todo o lado de bicicleta, inclusive para o local de trabalho, em Pernigem, a alguns quilómetros de sua casa, no Casal da Granja do Bicho, Várzea de Sintra. Quando foi atacada, ontem, deslocava-se a pé, para apanhar um autocarro para Sintra. Iria para o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Cascais.

MATOSINHOS

A 23 de Novembro de 2002, António Cerqueira, de 73 anos, foi morto pelas costas pelos seus dois cães rottweiler no interior da sua residência, em Leça do Balio, Matosinhos. Os animais causaram-lhe ferimentos fatais no pescoço e na cabeça.

REGISTADOS 4458

A Direcção-Geral de Veterinária têm registados 4458 cães considerados potencialmente perigosos. O maior número está no distrito de Lisboa (1003), seguido de Faro (618), Setúbal (612) e Porto (606).

FOME OU TREINO

Estes cães “tinham fome ou estavam treinados para matar”, considerou ao CM o presidente da Junta de Freguesia de S. Martinho, Adriano Filipe, que quer fazer um levantamento das condições de segurança dos animais da freguesia. A presidente da Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais, Maria do Céu Sampaio, diz não haver “fiscalização suficiente”. A fiscalização compete à PSP, GNR, Polícia Municipal e autarquias.

PERIGOSO

Além das raças especificadas ao lado, o Decreto-lei 312/2003 considera animal perigoso todo aquele que tenha “mordido, atacado ou ofendido o corpo ou a saúde de uma pessoa” ou que tenha “ferido gravemente ou morto outro animal fora da propriedade do detentor”.

SEGURANÇA

O proprietário de um animal perigoso está obrigado a manter “medidas de segurança reforçadas” nos alojamentos – que não podem permitir a fuga do animal – e está obrigado a afixar placa de aviso da presença e perigosidade do animal.

CIRCULAÇÃO

Sempre que o proprietário circule com o animal na via pública tem de fazê-lo “em caixas, jaulas ou gaiolas ou açaimo” e seguro por trela curta.

MULTA

O proprietário de um anila perigoso está sujeito a pagar uma contra-ordenação entre 500 e 3740 euros se o deixar circular na via pública sozinho ou/e sem meios de contenção.

AS SETE RAÇAS MAIS PERIGOSAS

ROTTWEILLER

Linhagem muito antiga é inteligente e tem grande capacidade de trabalho.

FILA BRASILEIRO

Cão de grande porte, com força e reputação de extrema agressividade. É uma raça proibida em vários países.

DOGUE ARGENTINO

Criado após o cruzamento de 11 raças, é especialmente indicado para a caça ao javali e ao puma.

PIT BULL TERRIER

Considerado um guerreiro, tem a agilidade dos terrier e a força e porte dos bulldog, raça da qual descende.

STAFFORDSHIRE BULL TERRIER

Criado em Inglaterra, no início do século passado, tem agilidade, físico poderoso e grande determinação.

TERRIER AMERICANO

É mais uma variante do Pit Bull, tem características desportivas, de lealdade, vontade de agradar e orgulho.

TOSA INU

Criada no Japão, a raça foi registada em 1997. Ex-cão de luta, hoje de guarda, é paciente, audaz e corajoso.

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