A zona Norte da Costa da Caparica está de novo em situação crítica, com o mar a destruir o cordão de dunas, na zona da Praia de S. João/Inatel. Os utentes do parque de campismo desta instituição foram evacuados por cautela. Os mais pessimistas acreditam que, uma vez que as ondas rompam as dunas, as águas invadirão toda a orla posterior, podendo chegar ao Bairro da Cova do Vapor, dado a zona estar abaixo do nível do mar.
Em três dias, as vagas fortes da preia-mar já desfizeram mais de dez metros de duna, deixando a descoberto a ‘raiz’ de argila, que, embora mais lentamente, também está a ser destruída. E o maior problema são as marés-altas da madrugada que ‘enrolam mais mar’.
“Temos aqui a factura de cinco anos em que não se fez rigorosamente nada, onde apenas houve remendos em vez de uma intervenção de fundo”, disse ao CM o presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica, António Neves. Em Abril passado, quando o INAG efectuou várias intervenções na Costa da Caparica, o autarca sugeriu ao presidente do Instituto que aproveitasse ter ali os meios para proceder ao reforço da costa naquela zona. “A resposta que tive foi a de que não havia dinheiro”, acrescentou António Neves.
Toda a tarde de ontem, uma autêntica romaria de ‘mirones’ acorreu ao local para ver a destruição das ondas, abeirando-se, por vezes perigosamente, das dunas em derrocada. Derrocada esta que chegou a arrastar arbustos de porte.
“Mandamos a Engenharia para o Líbano, mas cá não se faz nada”, foi o comentário que os populares mais fizeram ao observar a destruição das dunas.
António Neves alertou os Bombeiros de Cacilhas, para a necessidade de isolar a zona em risco, mas sem qualquer resultado positivo. Alertada também a Polícia Marítima (PM) para a situação, a resposta foi a de que aquela força tinha outras prioridades não podendo ir para o local garantir uma zona de segurança. Só quando a governadora Civil de Setúbal, Teresa Almeida, chegou ao local é que também chegou uma patrulha da PM que, então, afastou as pessoas para uma área mais segura.
Teresa Almeida confirmou que a Protecção Civil municipal e distrital estão em alerta até a próxima segunda-feira e que está montado um dispositivo de contenção das águas, quando acontecer a ruptura. “Neste momento não há possibilidade de intervenção, nomeadamente pelo INAG, e tem de se esperar por uma ruptura para se saber onde intervir”, acrescentou a delegada do Governo.
INUNDAÇÕES NO MINHO
Devido à chuva intensa e fortes rajadas de vento, os bombeiros tiveram ontem uma madrugada de muito trabalho na região do Minho. Dezenas de árvores caídas sobre a via pública e inúmeras inundações em ruas e habitações marcaram o cenário em vários concelhos, desde Valença e Viana do Castelo a Braga e Guimarães. As águas pluviais provocaram ainda a queda de diversos muros.
Durante a madrugada e o dia de ontem (com períodos de sol a alternarem com a queda de chuva intensa e granizo), equipas de protecção civil percorreram as zonas junto aos rios Minho, Lima, Cávado e Ave, por forma a alertarem as populações para a subida dos caudais. Contudo, isso não evitou que em Valença o condutor de um automóvel tenha sido surpreendido pela subida do Rio Minho.
O automobilista – hospitalizado com hipotermia – foi resgatado pelos bombeiros quando a água se encontrava já a 40 centímetros de cobrir o tejadilho da viatura, salva por um rebocador.
BAIXA DE ÁGUEDA ALAGADA
A subida do caudal do rio, durante a madrugada, fez entrar cerca de um metro de água na zona baixa da cidade. De acordo com Jorge Almeida, responsável da Protecção Civil, “os moradores e comerciantes foram avisados e os bens estavam acautelados, pelo que os prejuízos não são elevados”.
Também a EN230, que liga Aveiro a Águeda, foi cortada e mantinha-se condicionada ontem, ao fim da tarde.
NEVE PÁRA TURISTAS
Um forte nevão caiu ontem, pelas 12h00, na Serra da Estrela, e obrigou ao corte da estrada, entre a Lagoa Comprida e o Sabugueiro, durante uma hora. Mais de meia centena de carros ligeiros e autocarros ficou bloqueada na neve.
CHEIAS NO TEJO
A “precipitação significativa” que nos últimos dias se fez sentir na bacia hidrográfica do rio Tejo levou à activação do Plano Especial de Emergência para Cheias, às 16h45 de ontem. O Reguengo do Alviela vai voltar a ficar isolado, devido à submersão da EN356.
ÁRVORES CAEM
A queda de uma árvore centenária junto ao Hospital Sousa Martins, na Guarda, causou ontem danos em três viaturas, uma das quais do INEM.
MURALHA RUIU
Um troço com mais de 25 metros de comprimento da muralha interior da Fortaleza de Viana ruiu na última noite, devido a obras de intervenção e cuja estabilidade foi afectada pela chuva intensa que caiu na região.
RAIZ DAS DUNAS
A ‘raiz’ das dunas da costa Norte da Caparica é uma estrutura em argila colocada no local entre finais dos anos 50 e meados dos anos 60 do século passado, sendo depois coberta pela duna de areia.
INUNDAÇÕES
No distrito de Leiria, registaram-se 103 ocorrências causadas pelo mau tempo das 00h00 às 19h30. Houve 87 quedas de árvores, onze inundações e infiltrações de água e cinco deslizamentos de terras.
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