Henrique Noronha, inspector-chefe da Polícia Judiciária do Porto, que tomou conta da investigação ao caso Rui Pedro em 2008, admitiu ontem pela primeira vez que o menino pode ter morrido no dia do rapto. O seu depoimento, na 9º sessão de julgamento, no Tribunal de Lousada, onde foi ainda visionada a gravação da reconstituição feita por Afonso (ver texto secundário), abalou Filomena, mãe do menino.<br/><br/>
O investigador foi ainda mais longe nos cenários admitidos e indicou mesmo o local mais provável para o corpo ter sido escondido: a mata de Lustosa, onde Rui Pedro terá sido levado ao encontro com a prostituta.
"Se estiver morto deve estar naquele local, é o mais provável. Mas é muito difícil encontrar o corpo sem o auxílio de alguém que nos indique o local certo onde ele está. É procurar uma agulha em Lousada", disse ontem o inspector-chefe.
As palavras do investigador deixaram Filomena de rastos. Ficou abalada com a hipótese de nunca mais voltar a ver o filho. "Desde o início do julgamento foram as palavras mais difíceis de ouvir, doeu-me muito", disse, sem esconder a tristeza.
O investigador da PJ mostrou ainda estranheza com a investigação feita pela primeira equipa, logo após o desaparecimento da criança. Henrique Noronha não encontra explicação para o facto de o depoimento de Alcina Dias ter sido desvalorizado. Só quando o inspector--chefe tomou conta do caso é que a prostituta foi ouvida formalmente pela primeira vez. "Tenho dificuldade em perceber porque é que não se valorizou a informação. Quando tomei conta do caso percebi que havia desde o primeiro momento uma ligação à prostituição, por isso segui a pista", explicou. O inspector-chefe acrescentou ainda que foram precisos 13 anos para acusar Afonso, agora julgado por rapto, porque desde o primeiro momento o processo teve apenas uma fixação: encontrar o paradeiro de Rui Pedro.
"Incriminar alguém pelo de-saparecimento esteve sempre em segundo plano. Infelizmente nunca conseguimos perceber o que aconteceu ao Rui Pedro. Percebemos é que existe um intervalo de tempo para o qual o Afonso não tem explicação. As justificações não são plausíveis", disse.
JUSTIFICAÇÕES DE AFONSO FORAM OUVIDAS EM TRIBUNAL
Os passos que Afonso Dias deu no dia do desaparecimento de Rui Pedro, e cuja reconstituição filmada foi feita em 2004, foram ontem visionados em tribunal. As justificações dadas pelo arguido para aquele dia foram pela primeira vez ouvidas pelo colectivo de juízes. O arguido terá estado com Rui Pedro por volta das 14h30. Garante que o menino não entrou no seu carro, mas não consegue explicar o que fez no período de tempo entre as 15h00 e as 17h00. Para mais de metade desse período dá a justificação de que esteve parado em frente à farmácia Chaves, em Paços de Ferreira. "Estive lá parado em frente à farmácia a fazer horas. Agora já não consigo estar muito tempo dentro do carro, mas na altura fiquei. Estive a ver montras, a passear. Gosto muito de Paços", ouve-se o arguido dizer no vídeo.
De Paços de Ferreira, Afonso segue para Freamunde, onde fica parado em frente a uma fábrica. Volta para Lousada, toma banho e já ao final da tarde regressa aquela freguesia.
"Não me recordo muito bem do que fiz naquele dia. Sei que depois fui ter com a minha mulher", disse.
"É DURO VER QUE FIZERAM MUITO POUCO PARA ENCONTRAR O MEU FILHO"
Filomena, mãe de Rui Pedro, começa a revelar algum desgaste emocional. Nas últimas sessões de julgamento, não tem conseguido esconder a revolta. O depoimento dos primeiros inspectores que investigaram o desaparecimento chocaram a mãe, que dedicou os últimos 13 anos à procura do filho.
"É duro ver que fizeram muito pouco para encontrar o meu filho. Não o procuraram logo na altura, desvalorizaram informações. Podíamos ter sabido logo o que aconteceu ao Pedro", disse Filomena.
A mãe do menino lançou duras críticas à investigação e salientou o facto de só agora em tribunal algumas testemunhas terem sido ouvidas pela primeira vez.
Filomena elogiou no entanto o trabalho da 3ª equipa da Polícia Judiciária. "Eles sim, fizeram o que os colegas em 1998 deveriam ter feito. Tentaram reconstituir tudo", salientou a mãe do menino desaparecido.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.