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CHEIRA MAL NA REGIÃO DE SETÚBAL

A Quercus recebeu dezenas de reclamações da população de Setúbal contra o mau cheiro proveniente da fábrica da Portucel nas últimas semanas, de acordo com aquela associação ambientalista.

13 de fevereiro de 2004 às 00:00

Os odores desagradáveis provenientes da Portucel são, normalmente, arrastados pelos ventos dominantes de noroeste, para uma zona desabitada, entre Alcácer do Sal e a Comporta (concelho de Grândola), mas, quando o vento sopra do quadrante sul, o mau cheiro afecta centenas de milhares de pessoas nos concelhos de Palmela e Setúbal e, por vezes, na própria cidade de Lisboa.

"O problema do mau cheiro proveniente da Portucel é muito mais frequente do que diz o director da fábrica de Setúbal [ver texto ao lado]", assegurou o vice-presidente da Quercus, que salientou a necessidade de se estudar "uma eventual alteração da chaminé da Portucel, bem como a utilização de tecnologias de filtração ou queima, que já permitiram reduzir os odores noutras fábricas".

Apesar de reconhecer que "tem havido um grande esforço ambiental da Portucel nos últimos anos", Francisco Ferreira defende que "é preciso ir mais além".

Aquele responsável recorda que a Portucel é, desde há muito tempo, "a empresa que mais queixas gera por parte da população de Setúbal, sem que tivesse alguma vez procurado auscultar a opinião das populações residentes nas zonas limítrofes".

Confrontado com os protestos da população que se ouvem um pouco por toda a cidade de Setúbal, o director da fábrica, Óscar Arantes, garantiu que "as soluções técnicas instaladas na fábrica de Setúbal correspondem às mais modernas existentes, incluindo aquelas que têm a ver com a percepção do odor característico desta indústria". "Não existem soluções técnicas que possam evitar, em condições climatéricas desfavoráveis (direcção e força do vento), a propagação do cheiro para zonas limítrofes", disse , acrescentando que as emissões de gases odorosos da fábrica de Setúbal são comparáveis aos valores das melhores fábricas que utilizam o processo Kraft, e estão muito abaixo dos valores mínimos estabelecidos pela legislação portuguesa e europeia. "O mau cheiro proveniente da Portucel só se faz sentir três a cinco vezes por ano durante todo o dia, embora possa ocorrer mais vezes em períodos de tempo mais curtos", afirmou o responsável, reconhecendo que o ano passado, por condições climatéricas adversas, o mau cheiro se fez sentir 15 dias.

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