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Correio da Manhã

Portugal
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Chora ao ver arma do crime

David Saldanha, 23 anos, que está a ser julgado pelo Tribunal de Viseu por ter assassinado a namorada, Joana, 21 anos, à marretada e depois ter simulado um rapto, voltou ontem a chorar no julgamento quando o procurador do Ministério Público exibiu a arma no crime na sala de audiências para o arguido a identificar.

23 de Outubro de 2010 às 00:30
David Saldanha, de 23 anos, é julgado pela morte da namorada Joana, de 21 anos. Ontem, chorou e gritou frente à arma do crime
David Saldanha, de 23 anos, é julgado pela morte da namorada Joana, de 21 anos. Ontem, chorou e gritou frente à arma do crime FOTO: Nuno André Ferreira/Lusa

O homicida foi incapaz de olhar para a ferramenta com a qual concretizou o crime e não parou de chorar. E quando a juíza-presidente do colectivo lhe perguntou e pediu para demonstrar onde é que pegou no cabo na altura em que desferiu as pancadas na namorada, o arguido ficou desesperado e gritou: "Não me peça para fazer isso, por favor." A juíza pediu-lhe depois várias vezes para olhar para ela e optou por não insistir com a pergunta, comentando: "Não vale a pena chorar sobre o leite derramado".

A quarta sessão do julgamento voltou a ter forte aparato policial e apoio popular à mãe da vítima. Paula Fulgêncio – que após ter prestado depoimento na primeira sessão tentou agredir o arguido com o tripé do microfone – voltou a depor ontem, no seguimento de um requerimento interposto pelo seu advogado e que visa provar em tribunal que o arguido cometeu um crime de homicídio premeditado.

Para evitar novos tumultos, quando a mãe da vítima depôs, a juíza pediu aos polícias na sala para se abeirarem dela e deslocarem o arguido para a ponta do banco dos réus. Paula Fulgêncio estava visivelmente nervosa e vestia uma camisola onde nas costas se lia: "Eu espero por ti, não te vou perder o rasto monstro assassino. É comigo que vais ajustar contas, escroque." David Saldanha leu a mensagem e chorou.

O colectivo de juízes não se terá apercebido da mensagem, mas a juíza-presidente alertou-a antes do depoimento para se manter calma e "só responder ao que lhe é perguntado".

O julgamento prossegue dia 4 de Novembro para análise do relatório de personalidade do arguido e realização das alegações finais.

Homicídio Julgamento Viseu
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