Principais ocorrências têm ligação com a queda de árvores de grande porte, inundações e a queda de estruturas e postes de energia.
O concelho de Coimbra registou 525 ocorrências relacionadas ao mau tempo, entre terça-feira e esta quinta-feira, havendo cerca de dez mil casas sem eletricidade e entre 900 e 1000 sem água, além de desalojados e problemas com cheias.
Neste momento, as principais ocorrências têm ligação com a queda de árvores de grande porte, inundações e a queda de estruturas e postes de energia, revelou esta quinta-feira a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa.
Há "problemas graves nos postos de alta e de média tensão", cujo acesso é difícil e onde não se pode fazer trabalhos de restauração em qualquer condição climática, disse a autarca, adiantando que está a ser feito "um trabalho de proximidade com a E-Redes".
O expectável é devolver a eletricidade a estas casas até ao fim de semana, sem previsão de na sexta-feira já haver um retorno da normalidade.
Entre os locais considerados mais complexos para a reposição da energia, estão Palheira, Almalaguês, Castelo Viegas, Relvinha, Lamarosa, Bencanta, Ribeira de Frades, Arzila, Cernache, Taveiro e Ameal.
A falta de água também foi ocasionada pelos problemas com a eletricidade, já que as estações não podiam bombear água sem luz.
Entretanto, a líder camarária esclareceu que já há geradores para atuar nesta questão.
O Metrobus também sofreu os impactos da falta de energia e os serviços não estão a funcionar entre Sobral de Ceira e Miranda, cuja solução serão autocarros, disponibilizados a partir de sexta-feira.
As cheias correspondem a outro contratempo que o concelho enfrenta, tendo a barragem de Aguieira atingido o seu limite, pelo que serão feitas descargas controladas, que "vão provocar enchentes controladas".
As docas da cidade foram uma das áreas inundadas, com problemas também ao nível do estacionamento do Parque Verde do Mondego, ao que a autarca advertiu que, neste momento, "não se deve estacionar" nesta área.
Os carros estacionados foram, inclusive, retirados pela Polícia Municipal.
Apesar de não terem sido registadas vítimas até às 20h00 desta quinta-feira, o concelho assistiu ao desalojamento de alguns dos seus habitantes, ainda não quantificados e muitos dos quais "ficaram na casa de familiares".
Outra das preocupações da autarquia e das juntas de freguesia incidiu em cobrir telhados das habitações danificadas por árvores, evitando que a água adentrasse o espaço.
De acordo com a presidente da Câmara Municipal, todas as escolas do concelho têm condições de funcionamento, exceto a Martins de Freitas, que, como esta quinta-feira, continuará fechada na sexta-feira.
O mau tempo, segundo Ana Abrunhosa, deve permanecer até ao dia 9 de fevereiro, com ventos e chuvas, ao que a autarca pediu "paciência" para enfrentar a situação.
A edil ressaltou ainda o desempenho da Proteção Civil perante um "evento climático extremo", afirmando que o sistema daquela força "funcionou no país e em Coimbra".
Entre as 21h00 de terça-feira e às 12h00 desta quinta-feira, foram registadas 525 ocorrências no concelho, que mobilizaram 789 operacionais e 274 meios terrestres.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00h00 de quarta-feira até às 23h59 de dia 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios, incluindo Coimbra, número que pode aumentar.
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