Victor Soares está a ser julgado no Tribunal de Aveiro pelo crime ocorrido em 2023.
Homem confessa ter matado à facada testemunha de processo em que foi condenado em Águeda
Victor Soares, de 75 anos, confessou esta segunda-feira, no Tribunal de Aveiro, ter matado à facada em 2023, em Águeda, uma testemunha de acusação num outro processo em que diz ter sido condenado injustamente.
"Lamento e peço perdão. Foi num momento de raiva, ódio. Eu andava sem vida", disse o arguido, que começou a ser julgado, esta manhã de segunda-feira, no Tribunal de Aveiro, pela suspeita de ter esfaqueado, até à morte, uma testemunha de um processo em que tinha sido condenado a sete anos de prisão.
Perante o coletivo de juízes, o arguido justificou o que considerou ser uma "situação lamentável", queixando-se de ter sido injustamente condenado num processo judicial em que respondia por um crime de furto qualificado.
"Para mim, foi muito, muito doloroso ter sido condenado por um crime que não cometi", disse a chorar.
O arguido contou que, no dia dos factos, foi ao encontro da vítima para lhe pedir para ele reconhecer a assinatura num documento onde este afirmava o contrário do que tinha dito no julgamento.
"A minha intenção não era matar. Só queria que ele dissesse a verdade. Toda a gente sabe que ele veio mentir ao tribunal", afirmou.
O arguido contou que a vítima começou a chamar-lhe palavrões, ofendendo a honra da sua mãe e, nessa altura, foi ao carro buscar uma faca e desferiu-lhe vários golpes no corpo: "Estava com raiva, com ódio, não estava em mim, não andava bem".
Após esta situação, o arguido deslocou-se ao escritório de um advogado envolvido no referido processo, onde admitiu ter ateado fogo a um artigo pirotécnico, afirmando que o seu objetivo era apenas "dar um susto".
Segundo a investigação, o crime ocorreu na rua de São Lourenço, em Espinhel, no concelho de Águeda, em março de 2023. O suspeito tinha sido condenado pelo crime de furto qualificado. Segundo a acusação do Ministério Público, o arguido emboscou Joaquim Magalhães, testemunha nesse processo, e esfaqueou-o duas dezenas de vezes. De acordo com a Acusação Pública, o arguido exigiu ao homem que alterasse o depoimento. Perante a recusa, desferiu-lhe 20 facadas.
Depois de abandonar o local, deixando a vítima em paragem cardiorrespiratória, o suspeito dirigiu-se ao escritório do advogado envolvido no processo, em Águeda, e provocou um incêndio no corredor de acesso e junto à porta. Na sequência do fogo, três pessoas tiveram de ser assistidas por inalação de fumo.
Vitor Soares responde pela suspeita de um crime de homicídio qualificado e dois de homicídio qualificado na forma tentada.
O arguido, depois de ser detido pela Polícia Judiciária de Aveiro, foi conduzido a um estabelecimento prisional para cumprimento da pena de prisão de sete anos a que tinha sido condenado. Vitor Soares não foi, por isso, presente a um juiz de instrução criminal para ser sujeito a medidas de coação.
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