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Correio da Manhã

Portugal
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Libertado condutor de acidente que matou 12 portugueses

Emigrantes morreram em colisão quando viajavam da Suíça para Portugal.
Daniela Lapo, Daniela Vilar Santos e Miguel Curado 8 de Julho de 2016 às 12:09
Ricardo Pinheiro conduzia a carrinha onde morreram 12 portugueses
Ricardo Pinheiro conduzia a carrinha onde morreram 12 portugueses FOTO: D.R
O condutor da carrinha envolvida no acidente que matou 12 portugueses em março, em França, foi libertado. 

"O juiz de instrução ordenou a libertação sob controlo judiciário que inclui a interdição de deixar o território francês, a proibição de entrar em contacto com os protagonistas deste caso, a obrigação de fixar a residência em França numa morada que foi determinada e a obrigação de entregar uma caução de onze mil euros. A libertação deverá acontecer nos próximos dias", declarou Pierre Gagnoud, procurador da república de Moulins, em França.

Pierre Gagnoud indicou que recorreu da decisão, mas que a justiça confirmou a decisão do juiz de instrução e que o jovem vai ser libertado.

"Tinha recorrido da decisão porque considerei que o domicílio e o contrato de trabalho em França entregues ao juiz não eram suficientes para evitar o risco de fuga para Portugal ou Suíça. Depois, considerei que havia risco de concertação fraudulenta com os protagonistas deste caso porque sabemos que havia um segundo veículo que foi encontrado. Em terceiro lugar, considerei que havia riscos de pressões sobre as testemunhas", explicou.

Ricardo Pinheiro estava em prisão preventiva com o tio que ainda se mantém detido.

O acidente aconteceu no dia 24 de março quando os doze emigrantes viajavam da Suíça para Portugal, por altura da Páscoa.

Ricardo Pinheiro conduzia uma carrinha Mercedes Sprinter quando se despistou ao ultrapassar um camião, perto de Moulins, em França. A bordo seguiam 12 passageiros, todos portugueses emigrados na Suíça, apesar de a carrinha ser apenas de seis lugares. Levava, ainda, um atrelado, de caixa fechada, com a bagagem das vítimas. Tendo em conta a sua idade, 19 anos, não tinha o Curso de Aptidão de Motoristas, que só se obtém a partir dos 21 anos.

A hipótese de estar alcoolizado foi afastada. O jovem, apesar de ter a carta de condução há pouco mais de um ano, já tinha feito este serviço mais vezes. O tio e patrão do jovem, o empresário do ramo dos transportes Arménio Pinto, também trazia passageiros numa outra viatura. 


Ricardo Pinheiro e o tio estão indiciados por 12 homicídios involuntários por "falta consciente da obrigação de prudência" da parte do condutor.

Pierre Gagnoud não pôde precisar a data do julgamento, mas disse que "não deverá acontecer antes do final de 2017 e é possível que seja mais tarde".
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