A Estrada Nacional 125 está cada vez mais transformada numa enorme rua dedicada à prostituição. Em quase todas as zonas da via que liga o Algarve de ponta a ponta é possível encontrar mulheres, a maioria jovens e imigrantes, que vendem o corpo por dinheiro. A todas as horas do dia. E como a concorrência é feroz, para conquistar os clientes muitas levantam o top ou a minissaia para mostrar o corpo a cada viatura que passa.
“É uma vergonha. Uma pessoa pode ir com os filhos ou com a mulher no carro e toda a gente vê aquilo”, disse ao Correio da Manhã um morador de Boliqueime, indignado com a situação. Aí, há dezenas de prostitutas, tanto à saída quanto à entrada da localidade, e as exibições para os veículos são mais frequentes. “O negócio está mau”, justifica ‘Carla’, imigrante romena de 21 anos, a prostituir-se na EN125 há 4 meses.
“Não faço isso, mas há raparigas aí que já vi fazerem”, garante. A maioria, de resto, desmente utilizar o chamariz, mas admite que já viu colegas fazê-lo. “É preciso usar tudo”, explicam.
É assim na zona de Boliqueime, onde o fenómeno surgiu primeiro, mas também se encontra mulheres a venderem o corpo à saída de Olhão, na direcção de Tavira. Ou à entrada de Faro, junto à variante do aeroporto. Ou mesmo entre a capital algarvia e Vilamoura. Nesta última localidade, de resto, existem duas ou três estradas secundárias também conhecidas pela presença de prostitutas.
QUALQUER TIPO DE SEXO A TROCO DE 20 EUROS
Muitas das jovens até aparentam ser menores de idade, mas todas dizem ter 18 ou mais. De qualquer forma, a idade dita raramente ultrapassa os 21 ou 22 anos.
Quando abordadas pelos condutores, respondem: 'Vinte euros por sexo oral ou vaginal.' A maioria pouco mais sabe de português. Há brasileiras ou jovens provenientes de países africanos, ex-colónias nacionais, mas a grande maioria vem de países de Leste da Europa, como Ucrânia, Moldávia ou Roménia.
O SEF acredita que muitas já passaram por outros países da União Europeia, como Itália ou Espanha, antes de chegarem a Portugal. Preferem prostituir-se na estrada, pois desta forma não têm de pagar apartamento. O acto sexual é praticado, na maioria das vezes, no carro do cliente, numa estrada lateral à EN125.
CADA VEZ MAIS PROSTITUTAS
Em finais de 2008 e no início deste ano surgiram nas bermas da EN125 as primeiras prostitutas. Sempre de telemóvel na mão (para aparentarem estar à espera de alguém ou poderem fazer uma rápida chamada em caso de perigo), usavam roupas justas e reduzidas. Começaram por se colocar junto a Boliqueime, mas rapidamente se estenderam as outros locais.
Em Janeiro, quando o CM fez a primeira reportagem sobre o fenómeno na EN125, o Movimento de Apoio à Problemática da Sida calculava que cerca de 150 mulheres vendiam o corpo na rua, quando em 2007 não chegavam a ser 80.
PORMENORES
DESCONTO
Apesar de cobrarem vinte euros, a maioria das prostitutas revela que os clientes pedem descontos.
ORGANIZAÇÃO
As autoridades acreditam que as prostitutas da EN125 estejam organizadas quer por zonas quer por nacionalidades.
DISSUASÃO
A GNR tem feito patrulhas nas zonas onde se concentram mais mulheres para as afastar do local e para dissuadir potenciais clientes.
SEGURANÇA
Por uma questão de segurança, grande parte das mulheres só trabalha na estrada durante o dia.
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