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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Contas ‘secretas’ de Kate e Gerry

A Polícia Judiciária nunca teve acesso às contas bancárias de Gerry e Kate McCann. Isto porque as autoridades britânicas nunca responderam positivamente aos dois pedidos feito pelos inspectores portugueses nesse sentido.<br/><br/>

02 de fevereiro de 2009 às 00:30

No início do processo foi feito um primeiro pedido relativo aos pais de Madeleine e aos amigos que com eles passavam férias no Ocean Club, na Praia da Luz. A intenção era obter mais informações sobre quem eram aquelas nove pessoas. Se sobre os sete amigos surgiram dados como o local onde têm contas bancárias e cartões de crédito, sobre Kate e Gerry as autoridades britânicas pouco disseram.

"Não se mantém qualquer registo de uma conta bancária actual", referiram os ingleses sobre o pai de Madeleine, acrescentando que "não há registo de cartões de crédito ou empréstimos". E o mesmo se passa relativamente à mãe da menina desaparecida a 3 de Maio de 2007 do apartamento no Ocean Club, na Praia da Luz. A única informação é o banco onde está a hipoteca da casa. E referem que não há atrasos ou incumprimentos registados.

Na carta rogatória enviada em Novembro de 2007, para Inglaterra, e onde se pediam diversas diligências à polícia britânica, mais uma vez era requerida informação sobre as contas bancárias dos McCann. E mais uma vez nada chegou a Portugal.

As autoridades britânicas recusaram o pedido e simplesmente disseram como justificação que não disponibilizavam a informação financeira sobre o casal. E a informação nunca chegou.

"INVESTIGAÇÃO EM CURSO"

"O Home Office [Ministério dos Negócios Estrangeiros inglês] não pode confirmar ou desmentir" que os McCann tenham tido contas bancárias entre 25 de Abril de 2007 e 12 de Setembro de 2008.

Esta é a resposta dada, em Janeiro deste ano, aos jornalistas britânicos que procuraram esclarecer esta situação. Mais estranhos são os argumentos para justificar a resposta. Os britânicos dizem que "a investigação está em curso" e esta informação podia "prejudicar a investigação, as relações internacionais e colocar em perigo a saúde e segurança" de Madeleine. Isto quando o caso foi oficialmente arquivado em Julho do ano passado.

"Face a isto as autoridades britânicas estão a mentir aos seus súbditos", comentou ao CM Gonçalo Amaral. "O procurador-geral da República disse que o caso está arquivado", acrescentou o ex-coordenador da PJ.

 

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