A casa mortuária dos Marinheiros, em Leiria, está desde ontem ocupada pelas crianças de uma escola do 1.º Ciclo, que ali ocupam os seus tempos livres, têm apoio ao estudo e actividades extracurriculares.
A medida não foi bem aceite por alguns pais e moradores, mas a autarquia e a paróquia defendem que não havia alternativa.
“Nós sentimos que as nossas crianças foram despejadas do centro de tempos livres da Quinta da Matinha, onde estiveram até ao final do primeiro período, para serem colocadas num sítio sem condições, que foi feito para velar os mortos”, diz Cristina Lopes, porta-voz do grupo de pais descontentes.
Os encarregados de educação entendem que as salas não são arejadas e ontem não houve aula de música por o espaço não ter condições. Em sinal de protesto, alguns pais recusaram-se a levar os filhos para aquelas instalações. Foi o caso de Ana Rama, que preferiu deixar os dois filhos em casa, por entender que “havia alternativas”, dando como exemplo a sede do clube local.
“Isto é fazer pouco das nossas crianças”, defendeu Deolinda Belo, avó de um dos alunos, que questiona: “Onde é que se faz o velório se entretanto morrer alguém?”.
O descontentamento pela transferência das crianças do centro de tempos livres da Quinta da Matinha – que será ocupado pelos alunos de outra escola que vai entrar em obras – estende-se aos moradores, que recordam o quanto foi difícil angariar verbas para a construção da casa mortuária.
“É um bem nosso, ainda no outro sábado [29 Dezembro] estivemos aqui a velar dois mortos. Agora querem trazer as crianças para aqui e nem se dão ao trabalho de avisar ninguém”, diz Maria José Marques, de 85 anos, defendendo que havia outras opções.
O pároco dos Marrazes, Augusto Gonçalves, garante que se trata de uma situação “temporária” – pelo período de um ano – e que as instalações foram adaptadas para receber as crianças. “A casa mortuária não termina e voltará daqui a um ano”, disse o sacerdote, adiantando que, durante este período, os velórios – “meia dúzia por ano” – serão feitos na casa mortuária dos Marrazes, que fica “a dois passos” da dos Marinheiros.
O vereador da Educação da Câmara de Leiria, Vítor Lourenço, mostra-se “surpreendido” com a contestação, por ter havido acordo com a Associação de Pais. Embora compreenda a “carga negativa do espaço”, garante que “é a única alternativa possível na freguesia”. “As crianças ficam ali ou vão para casa, pois aquelas actividades não são obrigatórias”, conclui.
ESCOLA COM RATOS NO REFEITÓRIO
Os pais e encarregados de educação dos alunos da Escola do 1.º Ciclo do Ensino Básico de Folgosa, em Viseu, fecharam ontem as portas do estabelecimento de ensino a cadeado em protesto pela falta de condições do refeitório onde as crianças almoçam. Os pais queixam-se que o refeitório ocupa o hall de entrada da escola, local “onde faz muito frio e há ratos”. “É uma vergonha. Os miúdos comem num local sem condições e onde há ratos. Aliás, a louça tem de ser tapada, porque senão aparece com excrementos dos animais”, denunciou Anabela Bruneton, mãe de uma das 26 crianças que frequentam a escola. Os encarregados de educação afirmam que o problema no refeitório já dura “há mais de um ano sem que ninguém tenha feito nada”. “Há crianças que vomitam depois de comer devido ao frio”, adianta Fátima Domingos, mãe de outro aluno. O portão da escola esteve fechado até às 11h00, altura em que terminou uma reunião entre os pais e o vereador com o pelouro da Educação da Câmara de Viseu. O autarca garantiu aos pais que as condições do refeitório “vão ser melhoradas” até ao final desta semana.
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