Superintendente-chefe Luís Elias realçou que o trabalho policial acaba por ter "um fator alavanque também na criminalidade geral".
O aumento este ano de crimes como tráfico de droga, condução com álcool ou ilegal, desobediência e furtos por carteiristas na grande Lisboa explica-se principalmente, segundo a PSP, pelo reforço da presença policial nas ruas.
Em entrevista à agência Lusa, o comandante do comando metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP referiu que a proatividade policial e o aumento do número de detenções contribuíram para a subida de 2,9% da criminalidade geral na área do Cometlis nos primeiros oito meses do ano em relação ao mesmo período de 2025.
O superintendente-chefe Luís Elias realçou que o trabalho policial acaba por ter "um fator alavanque também na criminalidade geral", acrescentando que há crimes "que só aparecem nas estatísticas fruto da atividade policial", os chamados "crimes de proatividade policial".
"Estou a referir, nomeadamente, aos crimes de tráfico de estupefacientes, a resistência e coação ao funcionário, a condução ilegal, a condução em estado de embriaguez, desobediência, são um conjunto de crimes que subiram estes oito meses e que tiveram uma influência na estatística global e em termos de criminalidade geral", disse.
O comandante do Cometlis destacou igualmente o aumento do número de detenções, referindo que até ao fim de agosto a PSP fez mais 500 detenções em comparação com igual período de 2025.
Em relação à criminalidade violenta e grave, que desceu 0,4% na área do Cometlis nos primeiros oito meses do ano, Luís Elias afirmou que está relacionada com a diminuição dos roubos na via pública, "um tipo de crime que é bastante impactante no sentimento de segurança ou de insegurança" da população.
O mesmo responsável precisou que a PSP na área do Cometlis tem vindo a registar "descidas significativas nos roubos por esticão e roubos na via pública".
"Nos diferentes itens da criminalidade violenta e grave, os roubos na via pública, os roubos por esticão são aqueles que têm maior expressão estatística e são aqueles que eu defini, como comandante do Comando Metropolitano de Lisboa, como uma prioridade no que respeita à instituição criminal e também à deteção em flagrante delito", enfatizou.
Em sentido oposto, Luís Elias deu conta de que, no âmbito da criminalidade violenta e grave, subiram as extorsões e os raptos.
O furto por carteiristas, que não faz parte da criminalidade violenta e grave, mas merece por parte da PSP uma atenção especial, tendo em conta a sua alteração ao longo dos anos.
"O furto por carteiristas tradicionalmente estava muito associado a carteiristas de origem portuguesa muito seniores e que sempre fizeram como modo de vida este tipo de atividade. Mas nos últimos anos o furto por carteiristas está claramente associado à criminalidade transnacional, à criminalidade itinerante, a grupos internacionais que se deslocam a Portugal só com este objetivo", explicou.
Segundo Luís Elias, a PSP tem detetado vários grupos que estão em Portugal durante uns dias ou semanas e depois voltam para outros países.
O comandante do Cometlis avançou que este crime está associado a associações criminosas que vivem deste tipo de atividade e que circulam por várias cidades europeias de Espanha, França e Itália, tendo este carteiristas antecedentes criminais em outros países
O aumento de carteiritas na capital portuguesa está também relacionado com o crescimento do turismo: "O turismo tem muitos fatores positivos, nomeadamente como alavanca para o desenvolvimento da nossa economia, mas também tem este fator de atrair determinado tipo de fenómenos criminais que têm a sua atividade em cidades e em locais de grande concentração de pessoas, nomeadamente turistas".
Outra das dimensões criminais que preocupa atualmente o comandante do Cometlis são os assaltos e roubos organizados por grupos internacionais: "Temos uma outra dimensão, que tem sido agora muito falada, por exemplo, dos roubos do rolex, que está claramente relacionada com a criminalidade transnacional".
Ressalvando que o caso do "gangue do rolex", um grupo criminoso da América do Sul responsável por vários assaltos violentos nas ruas da capital a condutores de veículos topo de gama e com outros sinais exteriores de riqueza, está a cargo da PJ, Luís Elias manifestou-se preocupado com o possível surgimento de grupos com base nacional a tentarem imitar este 'modus operandi', mas "com resultados desastrosos".
O Cometlis tem competência em nove municípios da Área Metropolitana de Lisboa: Amadora, Cascais, Lisboa, Loures, Odivelas, Oeiras, Sintra, Vila Franca de Xira e Torres Vedras.
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