page view

Cruz Vermelha alerta no Parlamento para dívida de 1,5 milhões de euros do INEM

Apesar da dívida, prestação de serviços nunca foi suspensa.

19 de fevereiro de 2026 às 18:41

O presidente da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) alertou esta quinta-feira para dívidas superiores a 1,5 milhões de euros do INEM, mas garantiu que nunca suspendeu a prestação de serviços, mantendo a sua missão com "sentido de responsabilidade institucional".

"Apesar dos atrasos nos pagamentos das prestações de serviços realizadas e reconhecidas pelo INEM, que nesta altura ultrapassam o valor de 1,5 milhão de euros, a CVP nunca suspendeu os serviços que lhe foram solicitados no âmbito do SIEM [Sistema Integrado de Emergência Médica]", disse António Saraiva.

O responsável falava na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

"A missão foi mantida com sentido a responsabilidade institucional e compromisso com as populações", precisou.

Segundo António Saraiva, os atrasos nos pagamentos das prestações de serviços reconhecidas pelo INEM, que já ultrapassam 1,5 milhões de euros, "correspondem a cerca de três meses de faturação".

O dirigente lembrou ainda que a CVP assegura "aproximadamente 6 a 8% do total de serviços nacionais de emergência pré-hospitalar", salientando que, em 2025, foram realizadas cerca de 88 mil intervenções.

Durante a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar, entre 30 de outubro e 4 de novembro de 2024, a CVP não registou "qualquer ocorrência extraordinária" que limitasse a sua atuação.

Nesse período de paralisação, registaram-se 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, segundo a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

António Saraiva recordou também que a CVP "não define prioridades operacionais, não regula recursos, não decide tempos de resposta e não controla o financiamento estrutural do sistema".

O presidente da CVP afirmou que a instituição cumpre "escrupulosamente" tudo o que lhe é solicitado pelo INEM, com "profissionais dedicados e voluntários comprometidos".

O responsável reforçou que a Cruz Vermelha Portuguesa atua "com sentido de missão e responsabilidade institucional", mas exige "previsibilidade, sustentabilidade e equidade" para garantir a continuidade do serviço público.

António Saraiva reforçou a disponibilidade da CVP para colaborar em soluções estruturais que reforcem o sistema nacional de emergência médica, sempre "com espírito construtivo e orientado para o interesse público".

"A Cruz Vermelha é uma instituição humanitária, não-governamental, de direito privado e de utilidade pública administrativa, sem fins lucrativos, de base voluntária e atuando como entidade auxiliar dos poderes públicos e agente de proteção civil", vincou.

Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.

O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8