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DEFESA PÕE EM CAUSA ESCUTAS TELEFÓNICAS

A Defesa dos 11 arguidos acusados de pertencer a uma rede mafiosa que se dedicava à extorsão de imigrantes de Leste em Portugal tentou ontem, na segunda sessão das alegações finais do julgamento, pôr em causa a importância das escutas telefónicas que implicam os detidos, já que não terão sido feitas perícias para provar que as vozes gravadas pertencem efectivamente aos acusados.

17 de janeiro de 2003 às 01:01

Segundo o advogado Vítor Carreto, a inexistência em Portugal de um espectograma de voz (aparelho que permite comparar as vozes gravadas com as dos suspeitos) faz com que a investigação da Polícia Judiciária “tenha sido mal efectuada”. É que, sustentou, “deu-se o primado às escutas telefónicas sem se ter tentado outras formas de investigação”.

Com as alegações finais da Defesa terminou o julgamento da alegada rede de Leste denominada ‘Sacha Sportman’, as alcunhas do principal arguido e suposto cabecilha da associação criminosa, o moldávio Simion Stegarescu, de 28 anos.

Em sete meses de julgamento no Tribunal de Oeiras, por um colectivo de três juízes, realizaram-se 21 sessões, tendo cinco delas sido transferidas para Monsanto, em Lisboa. A sentença será lida no dia 14 de Fevereiro, pelas 14h00, em Oeiras. As fortes medidas de segurança foram uma constante. No último mês descobriu-se que alguns dos acusados estariam a planejar uma fuga da prisão e a conspirar ‘vingança’, que iria atingir, entre outros, o colectivo de juízes.

HOMICÍDIO E EXTORSÃO

De acordo com a Acusação, os 11 arguidos (nove homens e uma mulher moldávios e uma mulher nascida na Rússia, com idades entre os 50 e os 24 anos) constituem uma associação criminosa originária na Moldávia e com ramificações na Alemanha, Itália, Espanha e Portugal. Eram um tentáculo do ‘grupo-mãe’ moldávio – supostamente o mesmo a que pertenceu ‘Borman’ – e dedicavam-se ao auxílio à imigração ilegal e extorsão (com ameaças e violência) dos trabalhadores oriundos do Leste europeu.

Os 11 arguidos – sete estão detidos, dois em liberdade (um casal) e outros dois com paradeiro incerto – estão acusados de associação criminosa. Nove estão indiciados por auxílio à imigração ilegal. Quatro dos arguidos, todos homens, estão ainda em julgamento por homicídio qualificado e doze crimes de extorsão.

O homicídio de um moldávio e os crimes de extorsão foram cometidos a 8 de Novembro de 1999, num contentor em Porto Salvo. Foi aí que se iniciou a investigação. A PJ apurou que os indivíduos estariam organizados em pirâmide, com ‘Sacha’ no topo, prestando contas à ‘casa-mãe’.

Os restantes arguidos recebiam ordens de ‘Sacha’, sendo ‘Tolea’ o seu braço-direito e ‘Grisha’, ‘Jora’, Bahrin e Florea os operacionais que faziam as ‘cobranças’ e geravam o medo entre os imigrantes.

‘Sacha Sportman’ – também com as alcunhas de ‘chefe’, ‘Placa’ e ‘Crisha’ –, chegou a dirigir e orientar o grupo mesmo depois de estar preso preventivamente em Caxias, usando um telemóvel. Entre eles, os elementos da máfia de Leste tratavam-se por “padrinho, irmão e pai”.

VIOLÊNCIA

Os quatro acusados de homicídio qualificado agiram com extrema violência. A vítima mortal e outros 11 imigrantes foram surpreendidos a dormir e agredidos. O morto ‘recebeu’ um banco de madeira na cabeça, costas, braços e pernas. Já inanimado, continuou a ser alvo de pontapés. As lesões cranianas e torácicas levaram à morte.

SEPARADOS

Os réus foram separados por vários estabelecimentos prisionais da zona de Lisboa, depois de terem sido surpreendidos a planear vingança contra os magistrados. Um acidente de viação com fuga na CREL, que envolveu uma magistrada, sustenta uma tese de atentado contra os juízes do caso.

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