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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Erro de piloto em queda de aeronave em Benavente

Acidente provocou dois mortos em 2012.

25 de maio de 2016 às 17:32

A queda de um ultraleve nas imediações do Campo de Voo de Benavente, em abril de 2012, que provocou a morte dos dois ocupantes, deveu-se a falha humana, aponta o relatório final da investigação ao acidente, divulgado esta quarta-feira.

O piloto, de 21 anos, e o passageiro, de 18 anos, tiveram morte imediata e o ultraleve ficou totalmente destruído na sequência do incêndio que deflagrou após a queda.

Segundo o relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA) foram identificadas duas causas prováveis para o acidente: "a entrada em perda devido a atitude anormal de nariz [do ultraleve] em cima, provocado pelo passageiro aos comandos do avião, e a entrada em perda devido a volta apertada provocada pelo piloto".

"A Comissão de Investigação determinou que a causa do acidente foi a perda de controlo da aeronave devido a erro humano do piloto. O piloto não tinha seguido os procedimentos de descolagem e aterragem corretos, tudo indicando que ele autorizou o passageiro a assumir as operações", sublinha o GPIAA.

A investigação refere que "tudo indica que o piloto estava a ensinar, ou pelo menos a permitir" que o passageiro pilotasse o avião nas manobras de aterragem e descolagem, acrescentando que "é possível que tenha sido o passageiro a estar aos comandos do avião" no momento do acidente.

"Numa situação destas o piloto pode não ter tido tempo de reagir atempadamente para evitar a perda ou de ter sido impedido, por ação do passageiro, de atuar devidamente nos comandos de voo", frisam os investigadores.

O relatório refere que o passageiro era "um entusiasta da aviação e dos simuladores de voo", não tendo sido encontrado nenhum registo de qualquer experiência de voo, nem inscrição em algum curso de pilotagem.

A investigação conta que este jovem "já tinha voado como passageiro com outro piloto e já lhe tinham sido dados a sentir os comandos do avião".

A outra causa aponta para a entrada em perda do ultraleve devido a uma manobra intencional do piloto.

"Parece também que o piloto poderá ter efetuado uma volta apertada à direita, sem a velocidade correta numa tentativa de demonstrar as capacidades de manobra da aeronave ou demonstrar ao passageiro a sua habilidade de pilotagem", descreve o GPIAA.

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