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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Espera há treze anos por justiça

Mário Dias Guerreiro, cantoneiro, então com 43 anos, foi interveniente, cerca das 23h00 do dia 6 de Março de 1997, num acidente de viação quando conduzia a sua motorizada junto ao sítio do Álamo, em Alcoutim. Ficou em coma cerca de dois meses, nos Hospitais de Faro e de S. José e com graves deficiências físicas e mentais para toda a vida. Ainda nada recebeu do seguro.

29 de junho de 2010 às 00:30

"O meu irmão despistou-se devido a uma obra municipal – alargamento e pavimentação da EM 557– que não tinha sinalização, conforme várias testemunhas do acidente o garantem. Só no dia seguinte é que lá colocaram fitas e sinais luminosos", acusa António Guerreiro, irmão da vítima, que tem travado, ao longo destes treze anos, dura batalha jurídica. "Só agora conseguimos levar a tribunal (o processo iniciou--se ontem em Vila Real de Santo António) a Câmara de Alcoutim, a Seguradora AXA, as firmas Barrabrita e Manuel Joaquim Pinto (MJP) e dois técnicos responsáveis pela obra", queixa-se António Guerreiro, que clama por justiça.

"Queremos ver os culpados serem julgados", refere o irmão da vítima, que pede uma indemnização de 70 000 euros, mais juros de mora, por danos morais e patrimoniais. "O meu irmão era um homem normal e agora sobrevive porque a Câmara de Alcoutim o deixa trabalhar por caridade", diz.

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