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Correio da Manhã

Portugal

“Espero por ti monstro”

O Tribunal de Viseu condenou ontem a 18 anos de prisão o jovem que matou a namorada a golpes de marreta, em Novembro de 2009.
24 de Novembro de 2010 às 00:30
David Saldanha simulou um assalto com sequestro após o homicídio
David Saldanha simulou um assalto com sequestro após o homicídio FOTO: João Nuno Pepino

A mãe da vítima considera a pena "pouco" pesada e promete "fazer justiça quando ele sair" da prisão. "Depois, não vai viver mais 18 dias, pela alma da minha filha. Vou ser eu quem lhe vai ditar a sentença. Espero por ti, monstro!", gritou Paula Fulgêncio a David Saldanha, ainda dentro da sala de audiências e quando o arguido já saía do tribunal num carro celular.

A mãe da jovem, que abandonou a sessão a meio por vontade própria – não conseguia ouvir "as injustiças ditas" –, ficou revoltada com a juíza-presidente do colectivo. "Ela condenou-me a mim e não a ele", disse a mulher, que à porta do tribunal colocou um cartaz em que se podia ler: "E se fosse a sua filha? 17 anos [pena proposta pelo Ministério Público] era a pena justa?"

David Saldanha, 23 anos, foi condenado pela prática de um crime de homicídio qualificado por meio insidioso, de que resultou a morte a Joana Fulgêncio, 21 anos. Um dos membros do colectivo de juízes tinha sugerido 19 anos de cadeia, mas prevaleceu a decisão dos outros dois. David Saldanha terá ainda de pagar à mãe de Joana Fulgêncio uma indemnização de 66 mil euros por danos não patrimoniais e patrimoniais.

O colectivo não deu como provado que tenha comprado a marreta com o propósito de matar a vítima, que queria acabar com o namoro. Como atenuantes, foi realçada a idade do arguido e o facto de ter uma "personalidade anormal psicopática". "Vai ter muito tempo para pensar no valor da vida e que não tem o direito de a tirar a ninguém", disse a juíza Maria José Guerra ao homicida.

Para "sossegar convicções", a juíza explicou alguns pormenores do processo, frisando que David Saldanha "agiu com elevado grau de ilicitude" e, depois, "desviou as atenções para um crime que não existiu", simulando um sequestro, na barragem de Fagilde. Quando a pena foi revelada, ouviram-se vozes na assistência: "Só?!" n

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