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“Está um pandemónio, não se vê nada, vai arder tudo”: Inferno das chamas volta a matar

Proteção Civil tinha alertado para o que podia vir aí. E veio. Já morreram três pessoas, uma delas um bombeiro.

17 de setembro de 2024 às 01:30
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Imagens impressionantes mostram condutor cercado pelo fogo em plena A1

Um homem corre desesperado, em cima de um viaduto, com as chamas atrás dele. É dia claro, mas o fumo intenso e espesso torna-o escuro como o breu. “Saia daqui, saia daqui, isto vai arder tudo”, gritava um militar da GNR a um popular, sem saber bem para onde ir. Foi assim em Albergaria-a-Velha. Foi assim em Ílhavo, Oliveira de Azeméis, Sever do Vouga, Cacia, Castelo Branco, Baião, Gondomar, Mafra, Cabeceiras de Basto, Vila Pouca de Aguiar, um pouco por toda a região Norte e Centro. O pânico instalou-se nas populações, cercadas pelas chamas. Três pessoas morreram, um bombeiro em Oliveira de Azeméis e dois populares, em Sever do Vouga e Albergaria-a-Velha, e há vários feridos, a maioria deles voluntários de diferentes corporações, alguns com gravidade. Houve habitações atingidas pelas chamas, algumas arderam. Muitas escolas foram fechadas e idosos retirados de lares.

Com o fogo a aproximar-se rapidamente das populações, os autarcas acionaram os planos de emergência, ao mesmo tempo que pediam mais meios. Mas era impossível acorrer a todas as situações. Era fogo por todo o lado. “Está um pandemónio, não se vê nada”, ouvia-se num vídeo gravado no interior de uma viatura dos bombeiros. Ao meio-dia já havia 36 incêndios florestais ativos, segundo as contas da Proteção Civil. Ao princípio da noite foram contabilizadas 205 ocorrências. Estiveram no terreno 5307 operacionais, apoiados por centenas de viaturas e mais de 30 meios aéreos. Houve localidades evacuadas. Só no distrito de Aveiro arderam 10 mil hectares de floresta. Situação complicada viveu-se, também, em muitas vias rodoviárias, com as autoridades a cortarem estradas e autoestradas, casos da A1, A17 e A25, entre outras (ver infografia). O mesmo sucedeu no IC2 e em várias estradas nacionais. Uma lista interminável. As viagens da rede de autocarros Unir, que serve a Área Metropolitana do Porto, também estiveram fortemente condicionadas. O Presidente da República e o primeiro-ministro expressaram solidariedade para com as populações atingidas.

O regresso das chamas, que trouxe à memória a tragédia de Pedrógão Grande, não constituiu propriamente uma surpresa. Desde sábado que a Proteção Civil alertava para o que podia vir aí. E veio.

Bombeiros perderam um herói

João Silva, carinhosamente conhecido como o ‘30’, de 60 anos, morreu de doença súbita, durante uma pausa para a refeição, no combate a um incêndio em Oliveira de Azeméis, na noite de domingo. Pertencia à corporação de São Mamede de Infesta, em Matosinhos. Ainda foi assistido no local por uma equipa do INEM, mas não foi possível reverter o quadro clínico.

“Grande perda, reconhecimento, sacrifício, guerreiro pelo bem-estar de Portugal e dos portugueses. Continua a voar alto”, escreveram amigos na página do Facebook dos Bombeiros de São Mamede, que colocaram uma nota de pesar pela morte do carismático ‘30’. “Os bombeiros perderam um herói, o João. Um orgulho para a sua família, que era o amigo da nossa comunidade, sempre pronto para ajudar, um grande ser humano. Vais fazer falta. Agora és a nossa estrelinha-guia”, escreveu outro amigo. “Agradeço-lhe pelas vezes que foi em socorro dos meus avós, no Bairro de São Tomé. Era uma boa alma”, disse outro amigo. “O Sr. João era um exemplo de simpatia, dedicação, das pessoas mais prestáveis que tive o prazer de conhecer. Um verdadeiro Bombeiro”, escreveram ainda na Internet.

Fogo apanha bombeira e o seu namorado 

Entre os voluntários feridos nos incêndios desta segunda-feira está uma bombeira, com queimaduras na face e no tronco. Foi transportada para o Hospital de São João, no Porto, entubada e ventilada. O seu estado é considerado grave. O seu namorado, igualmente bombeiro, também ficou ferido, mas com menor gravidade. Foi para o Hospital de Gaia. Estavam a combater juntos o incêndio, em Oliveira de Azeméis, quando ficaram cercados pelas chamas por causa do vento. Deste fogo há ainda registo de mais dois bombeiros feridos.

Pedida redução do consumo de água

O Presidente da Câmara Municipal de Aveiro, Ribau Esteves, apelou à população para que reduza o consumo de água "ao mínimo indispensável" devido aos incêndios no distrito. Foi ativado o Plano Municipal de Proteção Civil.

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