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Patrocínio Azevedo, antigo vice-presidente da Câmara de Gaia
Atualizado a 04 de fevereiro de 2025 às 17:06

"Estou arrependido de ter recebido": ex-vice de Gaia sobre relógios oferecidos por João Lopes

O que sabemos até agora:

Os 16 arguidos no caso da Operação Babel regressaram esta terça-feira a tribunal para a sétima sessão. Os suspeitos estão indiciados pela violação de normas em processos de licenciamento urbanísticos em Gaia. Patrocínio Azevedo, o ex-vice-presidente da Câmara Municipal de Gaia, os empresários do ramo imobiliário Paulo Malafaia e Elad Dror, fundador do grupo Fortera, fazem parte do grupo de arguidos e estão acusados de dezenas de crimes económicos, inclusive corrupção e tráfico de influência.

Julgamento acompanhado pelas jornalistas Ana Isabel Fonseca e Daniela Vilar Santos
Terça-feira, 04 de fevereiro de 2025 às 17h06

Termina a sessão. Julgamento retoma amanhã

Acaba sessão e é retomado amanhã o julgamento.

Terça-feira, 04 de fevereiro de 2025 às 17h05

João Lopes explica que Paulo Malafaia comprou o terro porque a sua "foi a única proposta que se manteve".

João Lopes tenta explicar o motivo porque foi Paulo Malafaia a comprar o terreno, tendo em conta que foram apresentadas propostas de um valor mais elevado. O promotor imobiliário oferecia 3 milhões. "A família proprietária do terreno acabou por aceitar esta proposta porque foi a única que se manteve", afirma.

Terça-feira, 04 de fevereiro de 2025 às 16h45

João Lopes emocionado ao recordar demissão do ‘Atlântico da Madalena’

João Lopes fica agora emocionado quando aos juízes lembra que a primeira coisa que fez após ter sido libertado, em maio de 2023, foi demitir-se do ‘Atlântico da Madalena’, clube do qual era presidente. De recordar que o advogado se encontra em prisão domiciliária à ordem deste processo.

Terça-feira, 04 de fevereiro de 2025 às 15h52

"Ele não obteve qualquer vantagem": João Lopes garante que Patrocínio está inocente

“Eu tentei desde a primeira hora demonstrar a inocência do engenheiro Patrocínio, ele não obteve qualquer vantagem. Tentei desde a primeira hora demonstrar que os recebimentos de dinheiro que estão nas mensagens foram para mim e não para o engenheiro Patrocínio”, diz João Lopes.`^

João Lopes diz que recebeu dinheiro por causa do projeto Riversidade, na Quinta de Santo António. “Tinha de memória o valor de 25 mil euros. Recebi esse dinheiro do senhor Paulo Malafaia e do senhor Elad Dror. Foi recebido não para praticar qualquer ato ilegal, ou desempenhar qualquer ato ilegal, mas para desempenhar as minhas funções”, afirma, dizendo que foi uma prestação de serviços na qualidade de advogado

Sobre a alegada entrega de 100 mil euros em 2021 no centro comercial Norteshopping, em Matosinhos, João Lopes contesta também a acusação. “Foi pena aquando do episódio do norteshopping a equipa de vigilância não ter feito a interceção. O mito dos 100 mil euros desaparecia nesse momento”, afirma.

O advogado vai agora seguir a acusação e começa a abordar a sua intervenção no projeto 'Skyline'.

João Lopes explica que em 2018 começou por representar a família que era proprietária do terreno, que mais tarde foi escolhido para que fosse construído o projeto ‘Skyline’. Diz que ficou acordado que se vendesse o terreno iria receber uma quantia de dinheiro. Garante que nesta altura ainda não conhecia Paulo Malafaia e Elad Dror.

João Lopes começa por explicar várias questões que envolvem as negociações para a construção do centro de congressos. Refere que Patrocínio Azevedo não era o seu único contacto na autarquia e que a empresa Construções Pereira & Filhos, que detinha o terreno, poderia não ter capacidade para efetuar o projeto.

“Quanto entra o senhor Paulo Malafaia e o senhor Elad Dror neste projeto?”, questiona a juíza.

“O senhor Paulo Malafaia ligou-me de um número que eu não conhecia e que soube através do Dr. Patrocínio Azevedo que as Construções Pereira tinham um terreno para venda e se podíamos reunir”, diz João Lopes.

“Como é que o município faz um acordo destes sabendo que a Construções Pereira não tinham capacidade para avançar com o centro de congressos”, pergunta a magistrada.

“Se não conseguisse, a Câmara podia fazer uma expropriação de borla”, tenta explicar o advogado.

Terça-feira, 04 de fevereiro de 2025 às 15h01

"Estou arrependido de ter recebido": ex-vice de Gaia sobre relógios oferecidos por João Lopes

Patrocínio Azevedo retoma o seu depoimento a falar novamente dos relógios que terá recebido. Volta a confirmar que recebeu três relógios das mãos de João Lopes, mas que foram prendas de Natal. “Um amigo falou-me que um dos relógios tinha valor, não me sentia confortável e devolvi-os ao Dr. João Lopes. Não os valorizava, não fazia coleção. Foram prendas de Natal, não valorizei. Hoje estou arrependido de ter recebido”, afirma.

O antigo ‘vice’ diz ainda que recebia muitas prendas de Natal e muitas vezes nem associava quem me dava. “Eram os serviços que tiravam dos sacos e metiam na mala do carro”, diz. O ex-autarca garante que não fazia ideia do valor dos relógios. “Eu tenho dúvidas se os relógios que recebi eram os que estão na acusação. Só olhando para ele consigo percecionar os relógios”, acrescenta. Patrocínio diz que João Lopes nunca indicou que os relógios eram dados por outras pessoas.

“Em dezembro de 2021 tive um almoço com o Dr. João Lopes e com o Paulo Malafaia e fiquei com a pulga atrás de orelha de que os relógios podiam não ser dado só por ele”, disse. O ex-vice garante que nunca escolheu qualquer peça. “Nunca escolhi nenhum relógio, nunca o vi previamente. Nunca disse gosto, não gosto”, afirma, dando conta de que chegou a dizer a João Lopes que não precisava de nada. 

Procurador confronta Patrocínio Azevedo com fotografia de um relógio entregue, mas que não terá sido apreendido depois no processo. “Eu quase de certeza que não recebi este relógio. Não me lembro das marcas, só me lembro de um azul que era o que gostava mais”, diz.

“Achei que o relógio custava 200, 300 euros. Quando percebi qual era o real valor devolvi. Atendendo ao valor do relógio eu percebi que podia existir algo mais. Nunca me senti pressionado, já durante estes dias tentei provar que nunca fiquei manietado, mas quando percebi o valor não quis que ficassem dúvidas”, afirma.

“Eu nunca me senti constrangido quer do ponto de vista profissional, quer do ponto de vista político. Se calhar esse foi o meu problema, eu pensei sempre pela minha cabeça”.

Patrocínio Azevedo admite agora que quando Paulo Malafaia foi detido na operação ‘Vórtex’ - processo de corrupção em Espinho – ficou preocupado e trocou mensagens com João Lopes. “Não foi depois desta data que o senhor devolveu os relógios”, questiona o procurador. “Não, não”, afirma Patrocínio.

O antigo 'vice' acrescenta que quando devolveu os relógios a João Lopes não teve como objetivo ocultar a proveniência das ofertas.

Patrocínio Azevedo termina as suas declarações. Será feita uma pausa e depois começa o interrogatório a João Lopes, advogado e arguido do processo.

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"Ele é burro, mesmo burro": revelada conversa de ex-vice de Gaia sobre Paulo Malafaia

Publicada originalmente a 04 de fevereiro de 2025 às 15:02

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