Marido da arguida, o alegado "mentor dos crimes", foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão efectiva.
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Dulce Faria, a ex-funcionária da Polícia Judiciária (PJ) do Porto, acusada de ter roubado barras de ouro e joias, avaliadas em mais de 180 mil euros, foi condenada a uma pena suspensa de quatro anos de prisão.
O Tribunal de São João Novo, no Porto decidiu suspender a pena da arguida, uma vez que esta se mostrou arrependida e revelou uma "grande fragilidade física e emocional".
Já o marido, o alegado "mentor do crime", foi condeando a quatro anos e seis meses de prisão efetiva. O juiz considerou que este não mostrou qualquer arrependimento e teve em conta o facto do homem já apresentar cadastro criminal.
O casal foi ainda condenado a devolver 180 mil euros ao Estado. Os crimes ocorreram entre 14 de outubro de 2014 e abril de 2015.
Dulce Faria roubou da PJ do Porto barras de ouro e joias a mando do companheiro. Grande parte das peças estava num cofre. A arguida diz que foi pressionada pelo cúmplice, que alegava que aquela era a única solução para as dívidas avultadas que tinham.
Dulce foi apanhada no início de 2017 foi, juntamente com o companheiro, António Miranda, de 41 anos, acusada de quatro crimes de peculato.
Durante a investigação do processo, que correu no Departamento de Investigação e Ação Penal do Porto, Dulce, de 48 anos, disse que o companheiro vendeu tudo numa loja de ouro, mas que nunca viu o dinheiro. António, dono de dois cafés, estava insolvente e Dulce tinha parte do salário penhorado, devido a dívidas elevadas.
A arguida, que tratava do armazenamento das provas, roubou o ouro apreendido nas operações ‘Glamour’ e ‘Pedal de Ouro’ e que estavam relacionadas com a venda de metais preciosos. Primeiro roubou uma pequena barra de ouro e joias que estavam numa mesa. Mais tarde levou do cofre da PJ os bens mais valiosos. Retirou duas grandes barras de ouro, uma de prata e joias. Deu tudo ao companheiro no exterior da PJ.
A Judiciária chegou à arguida em abril de 2016, quando aquela foi apanhada pelas câmaras de videovigilância a sair do cofre com algo na mão. Tinha retirado 12 barras de ouro falso, que acreditava serem verdadeiras. Depois de colocar a suspeita sob escuta e de analisar as suas contas, a PJ fez a detenção.
"Revelou total desrespeito e zelo pelas funções que lhe estavam atribuídas. Aproveitou-se da confiança depositada pela instituição", diz a acusação.
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