Anteciparam cheias e os seus efeitos, para ajudar o dispositivo no terreno.
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O Exército ativou, no início da crise de emergências civis que assolam o Portugal há 20 dias, a sua célula geoespacial, com a missão de antecipar cheias e apoiar o dispositivo no terreno através de mapas com a projeção do que iria ou poderia inundar em bacias hidrográficas de Norte a Sul do País, e não apenas nas zonas de calamidade declarada, descreveu ao CM fonte oficial deste ramo das Forças Armadas.
Esse mapeamento a cargo do Centro de Informação Geoespacial do Exército, que foi colocado à disposição de vários outros agentes da Proteção Civil, visou "garantir a produção e difusão contínua de informação" em apoio "ao planeamento, coordenação e condução das operações de resposta às cheias".
Inicialmente foram aproveitados mapas geoespaciais já existentes, para exercícios de Apoio Militar de Emergência, das bacias hidrográficas do Tejo e do Vouga. Mas, com o agravar das previsões meteorológicas, alargou-se esse trabalho a outras bacias prioritárias: Guadiana, Mondego, Sado, Lis e Lena, Douro, Ave, Tâmega e Minho.
"Esta expansão permitiu antecipar a evolução do risco e produzir cartografia temática e cenários que simulam a subida do nível da água, apoiando um planeamento atempado, o correto posicionamento de meios e a intervenção ajustada às necessidades no terreno", explica o Exército.
Para ajudar todos, a informação atualizada é publicada no site oficial do Exército, com acesso público e descarga direta, e tem sido utilizada por autarquias, juntas de freguesia, unidades no terreno, Marinha, Força Aérea e demais agentes de proteção civil, "permitindo o acesso à cartografia das zonas de interesse e, de forma particularmente relevante, o acompanhamento do posicionamento das equipas no terreno, reforçando a consciência situacional e a coordenação". Há ainda mapas com as estradas condicionadas e a distribuição dos geradores de apoio, entre outros.
O Exército conta com o apoio da Força Aérea, "através de imagens de radar fundamentais para sustentar a produção e atualização dos produtos geoespaciais", e da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), na previsão, com dados como caudais e alturas da água. Foram, por exemplo, "analisados os picos de cheia previstos pela APA para o rio Mondego, na zona de Coimbra, tendo sido estimadas três alturas da água associadas a três picos de caudal".
Esta capacidade permitiu "balancear o esforço nas operações de evacuação de população e de contenção de caudais nas diferentes bacias hidrográficas, considerando a probabilidade de contenção e a evolução do risco, e apoia igualmente o balanceamento do patrulhamento de proximidade em zonas suscetíveis a cheias, reforçando a capacidade de vigilância e resposta".
Dada a sua elevada dimensão, os trabalhos são conduzidos a partir do Centro de Operações Táticas (COT) do Comando das Forças Terreestres, na Amadora, com uma força-tarefa instalada no Regimento de Apoio Militar de Emergência, em Abrantes.
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