As autoridades espanholas encontraram na quarta-feira à tarde 47,5 quilos de explosivos, 35 de Goma 2 Eco e 12,5 de amonita, do tipo dos utilizados nos atentados de Madrid. O achado, que colocou as autoridades espanholas e portuguesas em estado de alerta, ocorreu numa área florestal denominada 'Alto da Moneda', no município de A Veiga, região de Ourense, na Galiza.
Esta situação fez com que as autoridades portuguesas ordenassem de imediato às patrulhas de fronteira o aumento da fiscalização a veículos passíveis do transporte deste tipo de mercadoria.
"Os atentados de 11 de Março levaram a que o comércio de explosivos passasse a ser fiscalizado com maior rigor junto à fronteira e, como é óbvio, este tipo de notícias fazem com que redobremos as atenções nessa área", disse ao Correio da Manhã fonte do Comando Nacional da GNR.
O caso, que à partida não teria grande relevância, foi classificado como "muito preocupante" pelas autoridades galegas, pelo facto de a dinamite, do tipo Goma 2 Eco ser igual à utilizada nos atentados de Madrid no passado dia 11 de Março.
Acontece que os explosivos foram encontrados numa zona de pedreiras, de onde é extraída pedra negra utilizada na cobertura de casas, e, segundo informou a Subdelegação do Governo de Ourense, encontravam-se em mau estado de conservação.
Depois de realizados exames periciais, os agentes da Brigada de Minas e Armadilhas do Comando de Pontevedra da Guarda Civil concluíram que se tratava de explosivos "provavelmente ilegais" utilizados em pedreiras sem licença, pelo que procederam à sua destruição.
Aliás, segundo as autoridades galegas, os explosivos em causa foram encontrados no perímetro de uma pedreira que tinha sido encerrada no início deste ano pela Junta Autonómica da Galiza, após uma denúncia que veio a confirmar-se de que aquela pedreira utilizava dinamite em muito mau estado.
Este achado surgiu na sequência de uma inspecção nacional que as forças de segurança do Estado espanhol estão a levar a cabo em todas as pedreiras, no que toca aos explosivos, e na sequência dos atentados terroristas de 11 de Março.
"Desde o início de Abril que estamos a passar todas as pedreiras a pente fino e já encontramos centenas de quilos de dinamite ilegal", disse ao CM fonte da Guarda Civil Espanhola, realçando que "isto não tem nenhuma relação com atentados".
AS ARMAS CONTRA AS BOMBAS
Os ataques bombistas são as principais armas do terrorismo e contrariá-los é uma das missões das Forças de Segurança e igualmente das Forças Armadas, embora num grau mais de complemento.
Portugal não tem, até agora, sido um alvo dos ataques terroristas, mas quer a GNR, quer a PSP têm equipas para inactivação de engenhos explosivos improvisados - as verdadeiras bombas dos terroristas. Ou seja aproveitam materiais explosivos para improvisar uma bomba, o que não significa que a eficácia seja menos reduzida pelo facto de ser 'improvisada' - designação apenas técnica que serve para os diferenciar em relação a outros engenhos explosivos resultantes de um processo de produção em série e não artesanal.
A inactivação corresponde a uma acção que torna inerte um engenho explosivo, anulando ou destruindo-lhe o seu núcleo: o detonador. Esta operação pode ser feita com recurso apenas ao homem, equipado com fatos blindados de protecção, ou a equipamentos telecomandados, robôs que são dirigidos por especialistas e que dispõem de vários tipos de recursos para analisar, primeiro e destruir, depois, o núcleo da bomba.
600 QUILOS APREENDIDOS
A fiscalização da utilização, produção e comercialização de explosivos é da competência exclusiva da PSP, num atribuição determinada por lei e que está ao encargo da Divisão de Armas e Explosivos da PSP.
Esta área policial tem estado particularmente activa desde Janeiro deste ano e no total já foram apreendidos 600 quilos de explosivos, além de armas e milhares de munições, uma acção preventiva e que a lei também atribui à PSP. Alguns destes explosivos são Goma 2, apreensões que em particular têm sido feitas em pedreiras, sempre que usados sem autorização ou em condições de armazenagem não seguras.
O atentado terrorista de 11 de Março levou ao reforço da fiscalização, mas até agora não foi detectado qualquer movimento ilegal, com excepção de material explosivo para fogo-de-artifício nas mãos de dois espanhóis no Minho, cujo transporte para Espanha era ilegal. No entanto, Portugal tem cinco fábricas de explosivos, que produzem também o Goma 2, mas os terroristas do país-vizinho têm os seus canais próprios para abastecimento em Espanha sem recorrer a Portugal.
GOMA 2
É o explosivo de eleição da ETA e de outras organizações terroristas e foi igualmente usado no atentado de Madrid. No entanto, é usado com frequência em pedreiras, daí ser de relativo fácil acesso, se as normas de segurança não forem respeitadas. É composto por gelamonite e nitroglicerina e é vendido em pequenas barras. Como vantagens para os utilizadores, não derrete e é considerado um explosivo muito seguro - uma das razões pelas quais os terroristas preferem a Goma 2.
ATENTADO
A ETA sempre usou este explosivo e o atentado de Madrid como foi feito com recurso ao Goma 2 foi desde logo associado à organização terrorista basca. Acabaram por ser muçulmanos os autores do ataque que provocou cerca de 200 mortos, mas os canais que abasteceram a célula árabe podem ter sido os mesmos onde a ETA tem vindo a fornecer-se, ou seja o mercado civil, parte dele descoberto.
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