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Correio da Manhã

Portugal
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Faculdade encerrada por tempo indeterminado

"União! União!” e “Esta ditadura já ninguém atura!” foram gritos de guerra repetidos por algumas dezenas de estudantes que fecharam com correntes as portas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), ontem de manhã.
10 de Março de 2005 às 00:00
Os protestos contra a actuação do actual conselho directivo, liderado por Paulo Otero, e algumas das suas últimas imposições ainda não surtiram qualquer resultado, pelo que a faculdade vai manter-se encerrada por tempo indeterminado.
Os estudantes protestam contra um mapa de exames mais curto, imposto pelos órgãos de gestão da faculdade. O mapa “prevê uma época de exames de cerca de duas semanas em vez de um mês, como era habitual”, alega Bruno Cabral, presidente da Associação de Estudantes da FDUL, que esteve ontem reunido com o conselho directivo, sem obter resultados. “É um atentado aos nossos direitos.”
Recentemente, o órgão dirigido por Paulo Otero vedou aos alunos repetentes a hipótese de se submeterem a avaliação contínua, outra das razões deste protesto, que incluiu gritos de ordem como: “Otero para a rua, a luta continua!” e “Tá na hora do Otero ir embora!”.
Os estudantes protestaram ainda contra a propina máxima, fixada em 852 euros no início do ano passado, e contra a situação actual do conselho directivo, em funções de gestão desde o ano passado. Só hoje é que o director deverá assumir funções permanentes.
A acção de protesto foi decidida pelos alunos, numa reunião geral em que participaram cerca de 600 dos cerca de quatro mil estudantes da FDUL. Ontem, em frente à faculdade, alguns não concordavam com a iniciativa. “Isto só prejudica os alunos, estamos a perder aulas”, disse Filipe Gonçalves, estudante do primeiro ano.
Com a faculdade fechada, foi impossível obter ontem a reacção do conselho directivo.
SANGUE SUOR E PROPINAS
A atitude reivindicativa dos estudantes levada ao extremo é comum nas universidades portuguesas. Em Novembro do ano passado, uma intervenção do presidente da Assembleia da República, Mota Amaral, num acto protocolar na Universidade de Coimbra (UC), nunca chegou a acontecer por receios de boicote por parte de um grupo de estudantes mais radical.
Nesse mesmo mês, uma marcha pacífica reuniu em Lisboa 3500 estudantes de várias universidades do País em protesto contra as políticas educativas do Governo, mas houve alguns alunos, em Coimbra, que tentaram entrar à força no Senado, sendo reprimidos pela polícia. Em Outubro, um grupo de estudantes da UC impediu a cerimónia de abertura solene das aulas, invadindo a Sala dos Capelos. Uma semana volvida, cerca de 150 a 200 estudantes tentaram invadir o edifício do Senado da mesma universidade para boicotar uma reunião convocada pelo reitor, sendo travados pela polícia.
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