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Artigo exclusivo

Falha da Justiça deixa à solta traficantes do major Sérgio Carvalho

Sete homens condenados agora em Almada por tráfico de cocaína avaliada em 44 milhões euros.

15 de maio de 2023 às 01:30

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 ‘Wood’, droga
‘Wood’, droga David Cabral Santos
Xuxa, droga, ministros
Xuxa, droga, ministros David Cabral Santos
Major Sérgio Carvalho
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O CM teve acesso ao acórdão do Tribunal de Almada e a documentos oficiais brasileiros da ‘Operação Enterprise’, que visou a rede do major. Descrevem como, após alerta chegado do Brasil, dois inspetores da PJ embarcaram a 14 de maio de 2019 no navio da Marinha e o velho pesqueiro ‘Wood’ dos traficantes, vigiado pela Força Aérea, foi abordado pelo Destacamento de Ações Especiais às 03h21 de 22 de maio, no meio do oceano Atlântico, junto a Cabo Verde, quando aguardava outro barco para o transbordo da droga. Atracaram no Alfeite (Almada) a 3 de junho e os sete pescadores foram formalmente detidos nesse dia e colocados, por um juiz, em preventiva no dia 4. O processo julgado em Almada teve como intervenientes acidentais o major Sérgio Carvalho e Yslanda Barro, que esteve presa na ‘Enterprise’ por suspeita de ser ajudante do ‘Escobar brasileiro’.

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“GRUPO DE BARCOS DE NATAL”

O pesqueiro ‘Wood’ foi adquirido e transformado pela rede do major. Pertenceu ao que os brasileiros chamam o “grupo de barcos de Natal”. O barco saiu de Recife a 4 de maio e a droga foi-lhe levada, em alto-mar, por helicóptero.

NÃO FORAM AO JULGAMENTO

Nenhum dos arguidos prestou declarações, nem no primeiro interrogatório nem no julgamento, “aqui porque não compareceram em juízo e não se logrou proceder à sua detenção para sequer comparecerem”, diz o acórdão.

Dois ministros foram ver a droga

O ‘Wood’, que estava tão frágil que acabou por afundar dois dias depois de chegar ao cais do Alfeite, foi visitado no dia 4 de junho de 2019 pelos então ministros da Justiça (Francisca Van Dunem) e da Defesa (João Gomes Cravinho), pelo diretor da PJ (Luís Neves), pelos então chefe da Armada (almirante Mendes Calado) e comandante naval (almirante Gouveia e Melo) e o porta-voz da Força Aérea (coronel Manuel Costa). A bordo do patrulha ‘Setúbal’, elogiaram a missão, longe de imaginar que a Justiça haveria de falhar e libertar os sete traficantes, dos 36 aos 64 anos. Dois deles foram assistidos a hipertensão e diabetes.

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