Três reclusos da Prisão-escola de Leiria aproveitaram o período de recreio e escaparam a pé em direcção à Cruz da Areia. A fuga durou duas horas.
Três reclusos da Prisão-escola de Leiria, dois com 21 anos e um com 24, um deles surdo, fugiram ontem de manhã da cadeia, mas foram capturados duas horas depois, próximo da saída de Leiria da auto-estrada do Norte (A1), na sequência de um despiste. Um dos fugitivos faz parte de um grupo condenado em Coimbra por atacar homossexuais e os outros por contrafacção e tráfico de droga.
Fugiram do pátio em direcção ao bairro da Cruz da Areia, onde agrediram um homem para lhe roubar o carro. Manuel Cardoso, de 57 anos, pintor da construção civil, estava a ligar o motor do Opel Corsa de dois lugares quando viu os três reclusos a saltarem o muro de um quintal, mesmo ao seu lado.
'Pensei que me iam assaltar e até pus a mão no bolso da camisa, onde tinha o dinheiro, mas eles só queriam a chave do carro', contou ao CM Manuel Cardoso, adiantando que ainda conseguiu tirar a chave da ignição, mas que um dos reclusos se apoderou dela e se pôs em fuga no veículo, acompanhado dos dois companheiros, que já se tinham acomodado.
Na luta com os reclusos ficou com a camisa rasgada numa das mangas e com escoriações e hematomas no braço direito. Os fugitivos, que estavam internados nos serviços clínicos da cadeia e aproveitaram o período de recreio, por volta das 11h00, quando estavam no pátio, para se evadirem, seguiram depois em direcção a Fátima, onde entraram na A1, rumando para norte.
A viagem foi porém curta, pois saíram da auto-estrada em Leiria, tendo-se despistado no nó de saída e chocado com os railes de protecção. Logo após o despiste, pelas 12h40, abandonaram a viatura e fugiram a pé, tendo sido capturados meia hora depois por militares dos destacamentos de Trânsito e Territorial da GNR de Leiria.
Estavam escondidos em terrenos agrícolas, na zona de Vale Garcia, quando foram capturados, não oferecendo resistência.
DOIS FUGITIVOS CONTINUAM POR LOCALIZAR
O ambiente na prisão de Leiria está agitado desde o início do ano. Dois dias após um motim, a 26 de Fevereiro, que causou nove feridos, registou-se a fuga de seis reclusos. Quatro já foram capturados, continuando dois a monte. Contactado pelo CM, Jorge Alves, presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, considera esta sucessão de acontecimentos um reflexo da falta de pessoal e da reforma adoptada pela anterior direcção-geral. 'Ao juntarem no mesmo sítio reclusos da mesma idade, mas sem terem o cuidado de fazer uma triagem de acordo com o seu grau de perigosidade, estão a criar um barril de pólvora que vai explodindo', frisa o responsável. Jorge Alves critica o facto de não terem sido ouvidos os chefes dos guardas e diz já ter dado conta dessa lacuna ao actual director-geral.
BURACO ESTAVA A SER ESCAVADO NA ENFERMARIA
Um buraco que estava a ser escavado numa parede da enfermaria do Estabelecimento Prisional de Leiria foi detectado pelos guardas prisionais numa inspecção de rotina. Segundo apurou o CM, os reclusos estavam a abrir o buraco na parte de trás dos armários da camarata da enfermaria dos Serviços Clínicos. Foi porém descoberto antes de estar concluído.
Já em 2009, dois reclusos do EPL tinham conseguido escapar através de um buraco que fizeram na parede da cela, tendo fugidopelos campos de cultivo. Na altura, os presos escavaram a parede com um ferro da cama.
PORMENORES
DEIXARAM COMPRAS
Antes de fugirem no Opel Corsa entregaram a Manuel Cardoso o saco com compras que tinha acabado de fazer.
CONDUTOR SURDO
O recluso que se sentou ao volante do Opel é surdo e não prestou declarações por não conseguir comunicar com os guardas.
SEGUIAM PAA AVEIRO
Os três reclusos são naturais de Guarda, Braga e Aveiro e dirigiam-se para a última localidade. Saída em Leiria terá sido o engano que causou despiste.
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