Presidente da Câmara diz que já foram pedidos mais meios aéreos mas que, devido à situação no País, "está complicado" obter respostas.
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Três casas arderam na aldeia de Zimão onde vários idosos estão a ser deslocados para locais mais seguros devido aos três incêndios que lavram esta segunda-feira em Vila Pouca de Aguiar, informou a Câmara.
De acordo com a presidente da Câmara, Ana Rita Dias, três casas foram consumidas pelas chamas e "pelo menos cinco idosos foram retirados de casa, para lugares mais seguros", medida que irá ser extensiva a outros habitantes.
Os cinco idosos foram instalados num lar da região e a autarca afirmou à agência Lusa que está a ser preparada uma escola primária para acolher mais pessoas.
Ao que o CM apurou, o fogo já destruiu um armazém e está próximo a habitações.
"A situação agravou. Com o vento, o fogo acabou por fazer novas frentes e está perto das casas na aldeia de Bornes de Aguiar. Estamos a solicitar meios aéreos, o problema é que, face à situação nacional, está complicado termos aqui esta resposta", afirmou à agência Lusa Ana Rita Dias, num ponto de situação feito pelas 13h15.
"Estamos aqui numa faixa de 100 metros das habitações e estamos a ficar preocupados", disse, salientando que a prioridade dos meios é a proteção às habitações.
O alerta para este incêndio foi dado às 07h36 e, segundo a página na Internet da Autoridade Nacional e Emergência e Proteção Civil (ANEPC).
Devido à previsão de risco elevado de incêndio na generalidade do território, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) aumentou o estado de alerta e prontidão dos meios de socorro para o nível mais elevado, para esta segunda e terça-feira.
Após o alerta das entidades de proteção civil, também o Governo declarou Situação de Alerta para todo o território do continente até às 23h59 de terça-feira com medidas excecionais devido ao agravamento do perigo de incêndios rurais.
Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), estão esta segunda-feira em perigo máximo de incêndio mais de 100 concelhos dos distritos de Faro, Portalegre, Castelo Branco, Santarém, Leiria, Coimbra, Guarda, Aveiro, Viseu, Porto, Bragança, Vila Real, Viana do Castelo e Braga.
Meios insuficientes no combate às chamas
O comandante dos Bombeiros de Vila Pouca de Aguiar, Hugo Silva, afirmou que há três incêndios ativos no concelhos, todos com meios insuficientes de combate, e criticou operacionais parados em Vila Real.
O responsável, num ponto de situação feito à agência Lusa pelas 19h30, disse que no concelho se contabilizaram esta segunda-feira quatro incêndios, estando três ativos, em Bornes de Aguiar, Telões e Quintã de Jales, e um em resolução em Sabroso de Aguiar, onde ardeu um armazém de material de floricultura e estufas.
No terrenos estiveram entre 220 e 230 operacionais, um número que o comandante considerou insuficiente.
"Isto quer dizer que temos três incêndios ativos todos eles com meios insuficientes de combate, e os meios que cá estavam de reforço foram desmobilizados por ordem da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). O que é grave", realçou Hugo Silva.
O comandante esclareceu que há carros de bombeiros parados à ordem do comandando nacional da ANEPC na base de apoio logístico, nos bombeiros da Cruz banca (Vila Real).
"Uma brigada de combate ainda foi mobilizada para aqui, mas depois acharam que já não havia casas em perigo e foram obrigados a regressar para a base de apoio logístico", criticou.
Também a presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, Ana Rita Dias, disse que ia tentar perceber porque foram desmobilizadas as corporações que estavam no terreno.
"Entendemos que o país todo está a passar uma situação grave, entendemos isso e tentamos com o máximo de esforço tentar resolver as nossas situações. O problema é quando temos meios parados aqui ao lado e a Autoridade não os quer mandar para aqui e quando temos meios que vem para aqui de reforço por ordem superior são desmobilizados para uma base de apoio logístico para não fazerem nada", reforçou o comandante.
Hugo Silva referiu ainda que, entre as 12h00 e as 17h00, não foram mobilizados meios aéreos para o combate aos fogos que foram deflagrando ao longo do dia no concelho.
Ana Rita Dias, disse que a quantidade ignições verificadas no concelho levam à suspeita de mão criminosa na origem dos fogos, referindo que a Policia Judiciária (PJ) já está no terreno a investigar.
"A situação junto às casas durante a tarde foi-se conseguindo resolver, com muita dificuldade, por falta de meios", referiu ainda.
Depois, durante a tarde houve também alertas para incêndios em Sabroso de Aguiar e Telões, sendo que, neste último, "ainda arde com intensidade".
Já ao final da tarde, deflagrou um outro incêndio em Quintã de Jales, freguesia de Vreia de Jales, que, segundo Hugo Silva, também arde com intensidade.
O comandante apontou como principais dificuldades no combate a estes fogos a "carga de combustível", já que se está a falar de zonas de pinhal de médio e grande porte, pinhal cerrado, com alguma dificuldade de acessos e os ventos com fortes rajadas.
Populares apoiam operacionais no incêndio
Populares juntaram-se aos bombeiros e militares da GNR para ajudar a combater o incêndio que entrou pela aldeia de Zimão, em Vila Pouca de Aguiar, onde esta segunda-feira arderam quatro casas, uma habitada, e foram retirados idosos.
"A situação está complicada, já esteve mais. Houve muitas projeções, projeções de centenas de metros, e as faúlhas propagaram-se e chegaram às casas", afirmou à agência Lusa José Machado, secretário da Junta de Telões.
De Zimão, aldeia invadida pelo fumo e ponteada de chamas, foram retiradas cerca de uma dezena de pessoas mais idosas e, segundo o responsável, arderam "pelo menos quatro casas, uma de primeira habitação".
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