O processo de averiguações instaurado pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC) para apurar responsabilidades no desaparecimento de 25 frequências do 3.º ano da cadeira de Direito Administrativo Fiscal, foi inconclusivo.
Manuel Lopes Porto, presidente do conselho directivo da FDUC, garantiu ontem ao CM que “tudo foi feito para encontrar as provas [desaparecidas na segunda quinzena de Junho], mas nenhuma tentativa teve sucesso”. “Falámos com toda a gente e ninguém sabe de nada”, salientou.
O desaparecimento das frequências – as segundas da cadeira – continua envolto em mistério. Apesar disso, “não se justifica colocar qualquer autoridade exterior (PJ ou outra Polícia) a tratar do caso porque não vinha adiantar nada”, considera Manuel Lopes Porto, assegurando: “Vinham fazer o mesmo que fizemos”.
O presidente do conselho directivo da FDUC entende que “não era fácil roubar os exames e negligência também não foi, porque as pessoas são muito cuidadosas. Foi pouca sorte”.
Quanto ao insólito da situação, Manuel Lopes Porto destaca: “Tal nunca tinha acontecido, mas até me admiro”. E justifica a sua admiração com o facto de serem “muitas provas”.
O problema dos alunos afectados pelo desaparecimento das frequências – os nomes começados por letras posteriores ao ‘S’ foram contemplados com um ‘F’ de falta na pauta – foi resolvido com a realização de provas orais.
“Falei com os 25 alunos e o assistente para ser feita a avaliação oral, de forma a não ser desigual em relação a quem fez a frequência e para o processo de avaliação não sofrer atrasos”, explicou Manuel Lopes Porto.
No entanto, Sérgio Gaspar, vice-presidente do Núcleo de Estudantes da Faculdade de Direito, afirmou ao Correio da Manhã que “as orais já foram todas feitas”, mas esta decisão foi tomada “unilateralmente pelo regente da cadeira [Jonatas Machado] e o pelo presidente do conselho directivo”.
Para evitar a repetição de casos como este, a FDUC está a aperfeiçoar o mecanismo de recolha das provas e da sua distribuição aos assistentes responsáveis pela correcção, pedindo-se “maior cuidado na entrega de um docente para o outro, de forma a que não se amontoem e se perca o seu rasto”.
ALUNOS DE BEJA CONTRA NOVA PROVA
O grupo de 14 alunos do 12.º ano da Escola Secundária Diogo Gouveia, em Beja, não se conforma com a decisão do Júri Nacional de Exames em mandar repetir a prova de Teoria do Design, em virtude do professor vigilante ter entregue a correcção em vez da prova. Segundo Alexandra Morais, mãe de um dos estudantes, “é inadmissível que os alunos sejam prejudicados por algo a que são alheios”. Salienta que o exame devia ter sido “imediatamente anulado”. “Era preferível os alunos saberem que teriam que repetir a prova do que descomprimirem e considerarem que a etapa estava ultrapassada”.
Alexandra Morais revela ainda que alguns alunos foram chamados individualmente para, na presença de elementos do Júri Nacional de Exames, prestarem declarações sobre o sucedido. “O objectivo era tentar saber até que ponto tinham beneficiado por ter nas mãos o enunciado da correcção. A minha filha garantiu-me que foram breves instantes”.
Fonte do Ministério da Educação garante, porem, que nenhum aluno será prejudicado. “Para a semana farão novo exame e, caso necessitem melhorar a nota, o Júri Nacional de Exames garante essa possibilidade”. E sobre o tempo que estiveram com a correção ter sido insignificante? “Breves instantes pode significar muito tempo”, frisa a mesma fonte.
Quanto ao professor que cometeu o erro, o assunto foi remetido para a Inspecção-Geral de Educação, estando em fase de inquérito.O Presidente do Conselho Executivo da escola, José Maria Teixeira remete esclarecimentos para o Júri Nacional dos Exames. Mas lá diz que se os alunos “tiverem uma melhor prestação nesta prova depois já ninguém falará no assunto”.
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