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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Forças Armadas não terão de aguardar pedidos para intervir no combate aos incêndios

Ministro da Defesa sublinhou que "as Forças Armadas agem autonomamente e depois reportam aquilo que seja feito".

19 de junho de 2026 às 14:37

O ministro da Defesa disse esta sexta-feira à Lusa, em Fátima, no concelho de Ourém, que as Forças Armadas terão autonomia no apoio aos incêndios, pelo que não terão de aguardar pedidos de ninguém para intervir.

O Governo anunciou esta sexta-feira que foi ativado um Centro de Operações Permanente na Base Aérea n.º 5 em Monte Real, no concelho de Leiria, durante o período de alerta para as altas temperaturas.

"É criada na base de Monte Real uma plataforma que ficará em alerta permanente, utilizando aeronaves que detetarão, sempre que possível, logo no início, aquilo que sejam situações de risco para serem acionados os meios de combate através de helicópteros Black Hawk", disse à Lusa o ministro da Defesa, Nuno Melo, à margem da eucaristia da 43.ª Peregrinação Militar Nacional ao Santuário de Fátima.

Sublinhando a articulação com o Ministério da Administração Interna, o governante sublinhou que "as Forças Armadas agem autonomamente e depois reportam aquilo que seja feito, ou seja, não terão de aguardar um pedido de ação para que essa ação aconteça".

Tratando-se de um "meio novo" para "encarar uma situação que é de risco", esta é uma "articulação entre a Administração Interna e a Defesa particularmente virtuosa".

Esta é uma colaboração interministerial, que coloca "todos os meios do Estado, que são necessariamente escassos, para que se ajudem as pessoas e, no caso, aquilo que tem a ver com a proteção de vidas e do património".

"Tendo em conta previsões que são muito complicadas e sensíveis para os próximos meses, a Administração Interna e a Defesa Nacional basicamente reforçaram aquilo que são os mecanismos de prevenção e de combate para que logo de início seja possível dar uma resposta que minore consequências", acrescentou Nuno Melo.

O ministro da Defesa adiantou que serão disponibilizados uma P-3C CUP+ (aeronave de patrulhamento de longo alcance), uma C-295M (equipada para missões de reconhecimento, observação e monitorização de grandes áreas), drones e um Black Hawk (helicóptero multifunções), a que acrescem "os meios humanos necessários a que todos estes equipamentos sejam operacionalizados".

Na sua homília, o bispo das Forças Armadas, Sérgio Dinis, realçou, por várias vezes, a paz e o "sonho de todos terem um mundo de paz". "A paz não é a ausência de conflito, mas a plenitude de justiça, verdade e amor", citou ainda o bispo, parafraseando as palavras do papa Leão XIV.

Nuno Melo, que assumiu a sua presença em Fátima por ser católico e "numa manifestação de solidariedade e de pertença relativamente às Forças Armadas", referiu que a "melhor forma de se prevenir a paz está, no que tem que ver com a escala global, garantir que a Nato, no contexto dos aliados", esteja dotada dos "meios humanos, equipamentos e infraestruturas que garantem dissuasão".

Esta será uma "demonstração de prontidão que é dissuasora" e de "capacidade no caso de conflito".

"Garantindo dissuasão, a paz está mais presente. Estamos a fazer grandes investimentos. No que tem que ver com a paz, o apoio às populações civis" é também um desígnio.

O ministro da Defesa reforçou que as "Forças Armadas estão em permanência a trabalhar no apoio às populações civis".

Um desses exemplos "tem a ver com as situações dos incêndios, mas há vários outros", como "a emergência médica, as ações de busca e salvamento ou o transporte de órgãos que são usados em transplantes que salvam vidas".

O ministro enumerou ainda "as situações no auxílio no combate à criminalidade". "Algumas das maiores apreensões de droga que aconteceram nos últimos dois anos aconteceram com a colaboração impecável entre quem investiga os crimes e as Forças Armadas, nomeadamente a Força Aérea e a Marinha".

"Para tudo isso, temos que investir nas Forças Armadas garantindo a paz", rematou.

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