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MICRONOVELA

Refúgio Proibido Um refúgio. Dois corações. Mil segredos.

“Fotos manipuláveis”

As fotografias onde Leonor Cipriano aparece cheia de hematomas e que servem de prova no processo das alegadas agressões praticadas por inspectores da Polícia Judiciária podem ter sido manipuladas "por qualquer pessoa com conhecimentos informáticos".

25 de outubro de 2008 às 00:30

É esta a interpretação de António Pragal Colaço, advogado de quatro dos cinco inspectores acusados de tortura, e que vai servir de estratégia para demonstrar ao Tribunal de Faro, que ontem adiou o início do julgamento devido à morte da sogra de um dos juízes do caso. Segunda-feira os arguidos regressam ao banco dos réus.

Segundo Pragal Colaço, "é evidente" que as imagens podem ter sido modificadas. "Não se pode fazer análises médicas sobre ficheiros de outros ficheiros, de disquetes para CD", alertou o defensor de Paulo Cristóvão, Marques Bom, Leonel Marques e António Cardoso. "Aquilo não são fotografias. São impressões de ficheiros informáticos", declarou ontem o advogado à saída do Tribunal de Faro.

O ficheiro original das imagens que constam no processo desapareceu, e a Defesa de quatro dos inspectores pediu uma peritagem à Microsoft portuguesa para atestar que a simples manipulação dos ficheiros pode alterar as propriedades das imagens, adulterando o aspecto das lesões exibidas.

A Acusação do Ministério Público refere que foram "indivíduos não identificados" que praticaram as agressões à mãe de Joana, "seguindo indicações" e combinados com três dos arguidos.

Pragal Colaço avisa que aquilo que consta no processo não corresponde ao que se passou e lembra que "não se está a julgar um bando de malfeitores", mas sim "pessoas que ajudaram a resolver os maiores crimes do País", como os casos do ‘gang do multibanco’, do terrorista Abu Salem ou FP25.

António Cabrita, defensor de Gonçalo Amaral, acusado de omissão de denúncia, diz que a acusação é um "absurdo", porque assim Amaral teria de "suspeitar de todos os seus subordinados".

INDEMNIZAÇÃO PARA AMARAL

Caso seja absolvido, o ex-coordenador da Polícia Judiciária, Gonçalo Amaral, deverá avançar com um pedido de indemnização ao Estado.

"É uma forte hipótese, caso exista absolvição", disse ontem o seu advogado, António Cabrita.

Esta posição surge antes do início do julgamento, tal como já tinha sido avançado pelo advogado de quatro dos inspectores acusados: Pragal Colaço assegura que, caso os seus constituintes sejam absolvidos, irá pedir uma indemnização de cerca de cinco milhões de euros, para entregar à Polícia Judiciária.

ORDEM NÃO PAGA TAXAS E É MULTADA

A Ordem dos Advogados foi multada em cerca de 200 euros por não ter saldado a tempo o valor das custas judiciais para se constituir assistente no processo.

Ao que o CM apurou, junto de fonte judicial, só ontem de manhã, altura em estava previsto começar o julgamento, é que o pagamento foi efectuado. Assim, a constituição como assistente custou o dobro: com multa, quase 500 euros. A Ordem terá interpretado que não teria de pagar custas judiciais.

"Não fomos notificados. Isto é o que se chama veto de gaveta ou de bolso", comentou ontem o bastonário António Marinho Pinto.

"É inadmissível que a Ordem pague multas como esta porque não consegue perceber e ler o Código das Custas Judiciais. Não faz qualquer sentido", lamentou ontem à saída do Tribunal de Faro Pragal Colaço, advogado de quatro inspectores em julgamento.

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