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Correio da Manhã

Portugal
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FRAGATAS EM SEGUNDA MÃO VÊM DA AMÉRICA

As fragatas em segunda mão para a Marinha destinadas a substituir os três navios da classe “João Belo” vão ser fornecidas pelos EUA, segundo adiantou ao Correio da Manhã o ministro da Defesa, Paulo Portas.
As fragatas em causa são da classe “Oliver Hazard Perry” (OHP), que começaram a ser construídas nos anos 70 e cuja produção só terminou nos anos 80, com 54 navios construídos.
13 de Maio de 2003 às 00:00
Os navios têm razoável capacidade anti-aérea, inexistente na Marinha portuguesa, além de poderem também cumprir missões de luta anti-submarina e de superfície. Parte dos OHP têm vindo a ser acostados pela Marinha americana, substituídos por navios mais modernos.
A questão da compra foi abordada na recente visita que Paulo Portas realizou aos Estados Unidos e no encontro com o seu homólogo norte-americano, Donald Rumsfeld, o ministro português referiu que “embora o nosso País faça parte de um conjunto de dez Estados candidatos às fragatas ‘Perry’, o processo está bem encaminhado”.
O ministro concordou que a melhor solução seriam fragatas novas, mas “essa solução é inviável”, tendo em conta as restrições financeiras. Por outro lado, há a “possibilidade de que a transferência dos navios seja financeiramente coberta com créditos de Portugal aos EUA”.
Mesmo assim há valores previstos para o programa de substituição das “João Belo” na Lei de Programação Militar, 80 milhões de euros, um verba, no entanto, irrisória se a opção fosse navios novos – 500 milhões de euros por cada fragata similar à OHP. É aqui que o Ministério da Defesa se baseia para a opção em segunda mão, aceite também pela Marinha, tendo em conta a questão financeira. No entanto, sectores da Armada prefeririam as fragatas holandesas do mesmo tipo.
Um dos maiores ‘handicaps’ poderá ser o casco das OHP, em alumínio, um material menos resistente a elevadas temperaturas que o aço, mas militares que acreditam nas OHP obstam que dois destes navios já foram gravemente atingidos nos anos 80 no Golfo Pérsico – um por dois mísseis Exocet e outro por uma mina – e mantiveram-se a navegar. Outra fragilidade diz respeito ao radar de detecção que é apenas bidimensional.
O problema mais grave relativamente a um navio em segunda mão diz respeito ao estado dos sensores e da sua interoperabilidade com os restantes navios da Marinha portuguesa. Tanto assim que o ideal seria conseguir instalar nas três OHP que viessem para Portugal o sonar e o sistema de guerra electrónica, além das comunicações, que equipam as fragatas da classe “João Belo” – no fim da vida útil, após 40 anos de operação – uma vez que estes equipamentos são considerados ainda em bom estado, porque foram instalados nos anos 90. A opção da Marinha por navios para luta anti-aérea tem a ver com a necessidade de conseguir que Portugal disponha de uma força naval capaz de fazer frente a várias ameaças, tendo em conta a projecção de forças, à volta do navio de desembarque ou navio polivalente logístico. Ou seja, o submarino para reconhecer, as “Vasco da Gama” para luta anti-submarina e de superfície e as OHP para fazer face a alvos aéreos.
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