page view

GALO VIOLA LEI DO RUÍDO

Leonel Moreira nem queria acreditar quando foi notificado, no dia 30 de Setembro, pela GNR de Olhos d'Água, em Albufeira, para "cessar de imediato o ruído produzido pelo seu galo". Até esse dia o proprietário do feliz animal considerava-se privilegiado por, nos dias que correm, acordar ao som de um cacarejar matinal.

03 de outubro de 2002 às 00:04

Mas um casal vizinho, Vítor Cabrita e Laurentina Guerreiro, não foi da mesma opinião e queixou-se do "galo cantador" à GNR local: "Nós temos aqui um bar que fecha de madrugada e depois disso precisamos de descansar. Mas a partir das cinco da manhã o galo, que está numa gaiola mesmo ao lado da nossa janela, começava a cantar e era impossível dormir. Quando quero acordar utilizo um despertador para as horas que me convém", acusa Vítor Cabrita.

Várias queixas depois, e alguns telefonemas de turistas incomodados que pernoitaram próximo da capoeira, levaram a GNR ao terreno para avaliar o ruído do animal a anunciar a alvorada. Segundo o comandante de destacamento da GNR de Albufeira "por volta das cinco da manhã já o animal cantava a plenos pulmões, descansado da vida. Limitámo-nos a cumprir a Lei do Ruído", esclarece o capitão Matias.

Segundo a notificação, o proprietário do animal tem de calar de imediato o canto do galo caso contrário está sujeito ao pagamento de uma coima ou, como consequência mais óbvia, transformá-lo em manjar: "Para que é que ele quer o galo? Ele não põe ovos. O dono que o mate e o coma com batatas ou arroz", sugere o queixoso.

Para sorte do galo, Leonel Moreira possui uma propriedade em Paderne, para onde tenciona transferir o "animal de estimação", bem longe dos ouvidos da vizinhança de Olhos d'Água.

OUTROS CASOS

A condenação do galo não é caso único na vida do proprietário do já famoso galo. Na verdade trata-se de mais um episódio de uma história que começou há cerca de dez anos, altura em que Leonel abriu o seu negócio de jardinagem e limpeza de piscinas em Olhos d'Água: "Os vizinhos fizeram queixa dos cães de guarda que eu cá tinha e até implicaram com os meus periquitos, acusando-os de fazerem muito barulho", lamenta Leonel Moreira.

Os pássaros ainda lá estão, os cães tiveram mesmo de ser transferidos para a propriedade de Paderne, onde gozarão em breve da companhia do galo e, consequentemente do seu despertar pré-matinal.

Apesar da possibilidade de um "final feliz", Leonel Moreira ainda não acredita como é que um galo pode perturbar ao ponto de ser obrigado a calar-se: "O galo foi-me oferecido há um mês por um primo do Norte que quando vem de férias, traz-me uma galinha para fazer arroz de cabidela. Mas este galo é tão bonito que quis poupá-lo à caçarola. Os vizinhos agora resolveram implicar com o bicho só por egoísmo e maldade", acusa. Um argumento utilizado também pelo casal Cabrita que alega ser intenção do empresário manter animais ruidosos "só para ‘chatear’ e fazer mal".

Leonel Moreira teme agora que a moda pegue: "Havia de ser bonito se toda a gente se queixasse do cantar dos galos. O Estado encheria os bolsos com o total de coimas a pagar ou então haveria arroz de cabidela com fartura", ironiza.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8