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Gang roubava cargas de medicamentos contra o cancro e vendia a hospitais públicos no Brasil

Cinco suspeitos já foram detidos.

21 de julho de 2026 às 14:34

A Polícia Civil (Judiciária) do Rio de Janeiro desencadeou esta terça-feira uma grande operação neste estado brasileiro e nos de São Paulo, Goiás e Pará, contra uma organização criminosa especializada em roubar cargas de medicamentos contra o cancro e depois vendê-los a hospitais públicos.

Até meio da manhã, cinco suspeitos já tinham sido presos e a ação, denominada “Operação Metástase”, continuava nessas quatro regiões do Brasil para cumprir outros mandados de prisão e 97 de busca e apreensão.

De acordo com o delegado (inspetor) André Prates, que comanda a operação, a quadrilha usava muita violência ao assaltar camiões carregados com esses medicamentos, pelo menos 40 somente no período de um ano. Os criminosos usavam espingardas de guerra de alto poder ofensivo, eram protegidos por outros membros do gang e obrigavam os motoristas dos pesados de carga a parar no meio da estrada, assumindo o comando.

Toda a carga era levada para o Complexo de Favelas da Maré, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, onde os assaltantes recebiam o pagamento combinado e entregavam a carga roubada a recetores. Estes, por seu turno, espalhavam as caixas de medicamentos por outras favelas do Rio de Janeiro, para dificultar a sua localização e reduzir perdas em caso de uma ação da polícia.

Em seguida, os medicamentos roubados, todos de alto custo, eram revendidos a hospitais públicos pela quadrilha. Para isso, acrescentou André Prates, o grupo criminoso criou 25 empresas farmacêuticas de fachada em vários estados, e através delas vendiam formalmente os medicamentos para hospitais participando em licitações públicas que geralmente venciam por oferecer preços mais baixos do que empresas legais.

Além de todos os crimes relacionados ao roubo, receção e venda fraudulenta, a quadrilha cometeu ainda crimes contra a saúde pública. Medicamentos contra o cancro necessitam de ser mantidos em condições especiais de temperatura e armazenamento, o que não ocorria, e não se sabe em que condições de qualidade e eficácia vários chegaram aos pacientes que os receberam.

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