A confusão instalou-se ontem no início do julgamento de 15 elementos do gang de Valbom, acusados de mais de 20 crimes violentos, entre os quais vários assaltos a ourivesarias, carjackings e diversas tentativas de homicídio em discotecas.
A juíza-presidente suspendeu a sessão para ordenar a revista de todos os presentes na sala de audiências do Tribunal de S. João Novo, no Porto. Em causa estava a recolha de imagens por parte de arguidos que estão em liberdade. Ao que apurámos, pelo menos dois deles fotografaram com o telemóvel os juízes, a procuradora e os jornalistas.
"Há fundadas suspeitas de que um ou mais arguidos dos que estão em liberdade recolheram fotos aos elementos do colectivo quando nos encaminhávamos de um dos gabinetes para a sala de audiências. A recolha, para além de proibida por lei, faz suspeitar da sua finalidade", anunciou a juíza. Os agentes da PSP, presentes na sala, revistaram todas as pessoas e os telemóveis, mas já não encontraram qualquer imagem proibida.
A sessão foi retomada com o depoimento de Pedro ‘Pitbull’, um dos nove arguidos que estão em prisão preventiva e o único elemento do gang que aceitou falar. O detido disse não estar de acordo com os factos da acusação que o pronunciou por dois crimes de roubo agravado, um de ofensa à integridade física simples e três de homicídio simples na forma tentada.
"Nunca roubei nem tenho experiência nisso", disse ‘Pitbull’. O arguido revela que o roubo de um Audi A8, ocorrido a 3 de Julho de 2008, "não passou de uma burla". "O dono do carro disse-me que estava com dificuldades em vender o Audi, porque tinha um seguro de 28 mil euros contra todos os riscos, e falou em simular o roubo", contou, acrescentando que está arrependido pelo facto.
PORMENORES
DISPOSITIVO POLICIAL
O edifício foi rodeado de fortes medidas de segurança por o grupo ser considerado muito perigoso. No tribunal apenas se realizaram julgamentos com poucos arguidos.
NOVAS SESSÕES
Hoje, amanhã e quinta-feira prossegue o julgamento durante todo o dia. Amanhã vai ser ouvido o inspector da PJ que foi baleado por Filipe ‘Bianchi’.
CRIMES
Assaltos a ourivesarias à mão armada, homicídio tentado, carjackings, sequestro, furto, tráfico de armas, tráfico de estupefacientes, falsificação de documentos e receptação são alguns dos crimes imputados.
GANG DE VALBOM
Grupo foi desarticulado na ‘Operação Charlie’, realizada pela PJ em Setembro de 2008.
ADVOGADO DE 'SKIN' GARANTE QUE ARGUIDO NÃO ASSALTOU FEIRA DO OURO
Na sessão de ontem, o advogado de Bruno Coutinho ‘Skin’ – um dos nove arguidos que estão em prisão preventiva – aproveitou para falar ao colectivo. "Está há mais de um ano preso injustamente por factos que não cometeu", alegou o causídico, referindo-se em concreto ao assalto à ourivesaria Feira do Ouro, ocorrido no Verão de 2008.
O advogado garante que ‘Skin’ não terá tido qualquer participação no violento roubo, em que a dona da ourivesaria foi manietada e ameaçada com uma arma de plástico. Na altura, os arguidos, encapuzados e armados, rebentaram com a porta da loja, na rua de Santa Catarina, no Porto, de onde roubaram cerca de quatro mil euros em ouro, jóias e diamantes. Fugiram a alta velocidade.
ATIRA EM PJ E ESTÁ EM LIBERDADE
Filipe ‘Bianchi’, em liberdade desde Março de 2009 por ordem do tribunal, liderava o núcleo duro do grupo. Esteve acusado da tentativa de homicídio do inspector da PJ do Porto, Carlos Castro, em sequência de um carjacking à porta da casa do polícia, mas a juíza entendeu que a acusação tinha sido mal elaborada. Mesmo depois de o inspector ter reconhecido ‘Bianchi’ como o homem que o alvejou na mão na noite de 16 de Abril de 2008.
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