Atuação do grupo surpreendeu as autoridades pelo nível de preparação dos planos de ataque. Faziam esperas durante horas e conseguiram escapar ao radar da polícia ao longo de oito anos.
Atuavam de norte a sul do País, integravam vários familiares e acabaram ligados a crimes graças a vestígios de ADN deixados nos locais que atacaram ao longo de oito anos. Acabaram detidos no ano passado depois de uma autêntica razia a ourivesarias de norte a sul do País desde o ano de 2017. Eram meticulosos, cada um dos nove assaltantes agora acusados pelo Ministério Público tinha uma tarefa atribuída e específica. Levaram ao longo de quase uma década milhares de peças em ouro de lojas, que lhes rendeu 879 mil euros. Para os crimes, faziam vigilâncias que duravam horas, estudavam as horas de abertura e fecho das lojas, usando até um drone para ter acesso a todas as informações dos alvos, escolhidos a dedo.
Em causa estão crimes de associação criminosa, furto qualificado, recetação, branqueamento, detenção de arma proibida e fraude fiscal. Diz o MP, na acusação a que o CM teve acesso, que “a atividade do grupo organizado consistia em eleger uma ourivesaria alvo do furto, elaborar um plano prévio e muito detalhado de ação, subtrair peças em ouro e prata e outros objetos de valor. Vendiam depois aos seus recetadores para fundição ou venda dissimulada a particulares e assim obter grandes quantidades em dinheiro”.
No ano passado, alguns elementos do grupo foram intercetados pela PSP na Ponte 25 de Abril, após um assalto a uma ourivesaria na Charneca da Caparica, Almada.
Assaltantes contestam
O gang tinha também vários carros que eram usados nos ataques. Por norma, eram viaturas de alta cilindrada. Um dos arguidos assumiu o papel de chefe e escolheu os seus operacionais. Antero Claro Gonçalves é um dos advogados do processo. Em resposta às perguntas do CM, limitou-se a dizer que “existem factos relatados na acusação que, na visão da defesa, não têm suporte em qualquer indício”. “Estamos a redigir requerimento para abertura de instrução. Alguns destes crimes são verdadeiras surpresas, visto que nunca fomos confrontados com os factos”, disse.
Maçaricos para abrir cofres
Segundo o MP, a entrada nas ourivesarias era feita “através do arrombamento de paredes ou tectos”, evitando os sistemas de videovigilância, sendo depois utilizados maçaricos de acetileno e oxigénio comprimido para abrir cofres-fortes. Consegui- ram pôr em marcha assaltos rápidos e quase silenciosos e por isso conseguiram escapar ao radar das autoridades durante tanto tempo. O MP também diz que nos dias da preparação e do cometimento dos furtos, com vista a poderem comunicar abertamente, os arguidos usavam cartões pré-pagos, descartáveis, que estavam escondidos numa garagem.
E também
Tinham fortuna
Foram apreendidos pela PSP - que dirigiu a investigação - dinheiro, veículos e joias, no valor de mais de 82 mil euros, tendo sido requerido o arresto de bens e a perda a favor do Estado de valores que ultrapassam os 790 mil euros.
Ladrões à solta
Quatro arguidos estão sujeitos a medidas de coação privativas da liberdade - dois em prisão preventiva e dois em prisão domiciliária com vigilância eletrónica. Os restantes estão em liberdade, sujeitos a apresentações.
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