Foram 99 os assaltos a caixas de multibanco, em 2007, na Margem Sul do Tejo. No ano seguinte, até Setembro, registaram-se 72 assaltos. No total, os roubos renderam 2,2 milhões de euros a um gang que o Ministério Público apelida de "grupo da Bela Vista" e cujo julgamento de três dos operacionais se aproxima.
A acusação do Ministério Público garante que este grupo é dotado de um 'elevado nível organizacional, repartição de funções, durabilidade e mutabilidade' que torna a tarefa policial praticamente inglória.
A recolha de indícios, para permitir identificar os homens que participaram em assaltos concretos, é também uma tarefa difícil.
Os suspeitos são cadastrados cuidadosos, que definem os alvos e estudam caminhos de fuga. Fazem-se transportar em veículos de alta cilindrada, que previamente roubam, e actuam sempre de cara tapada.
Luvas e vestuário escuro são objectos essenciais. Impedem o reconhecimento pessoal e evitam que sejam deixados vestígios.
As fugas são de tal forma cuidadosas que estes assaltantes dão-se ao luxo de lançar pó de extintor para a estrada, de forma a impedir perseguições.
Depois, com as notas na mão, limpam cuidadosamente os carros e os ATM esventrados. Não andam com telemóveis durante os assaltos, para evitar a localização celular, e fazem imediatamente circular o dinheiro.
Se alguém é detido, a lei do silêncio é imperativa. Quem está na rua oferece assessoria jurídica e reconstrói o grupo.
TRÊS ACUSADOS DO ATAQUE A ATM EM REGUENGOS
São três os arguidos acusados de terem assalto o multibanco das bombas de gasolina da Galp, em Reguengos de Monsaraz. O assalto foi a 10 de Setembro de 2008 e o grupo usou no roubo um Mercedes, um Audi e um Nissan. O primeiro carro tinha sido roubado na madrugada do dia 1, os outros foram levados momentos antes do assalto. Surpreendidos por uma patrulha da GNR quando arrancavam a caixa de multibanco, os suspeitos ainda conseguiram fugir.
Na perseguição, usaram pó de extintor para atrasar a patrulha da GNR e abandonaram um dos carros numa vinha, depois de o mesmo ter sido atingido pelos disparos dos militares. Três foram detidos pouco depois e um deles ainda contou uma história de um assalto de que teria sido vítima, dizendo ter sido abandonado pelos assaltantes na zona. Foi acusado de simulação de crime.
FALTAM PROVAS PARA APANHAR OUTROS SUSPEITOS DOS ASSALTOS
São muitos os argumentos invocados pelo Ministério Público para não acusar outros suspeitos, tidos como participantes em diversos assaltos. Um deles é que não existem imagens (fotografias ou registos de vídeo) que os coloquem no lugar do crime. Também a falta de identificação por impressão digital, palmar ou ADN, não permite sustentar uma acusação pública. E o facto dos reconhecimentos presenciais feitos com as vítimas e os suspeitos terem deixado dúvidas também baralhou as investigações.
Outros factores determinantes para terem sido apenas três os acusados: as buscas domiciliárias não conduziram à apreensão de objectos susceptíveis de servir de prova e os depoimentos das testemunhas foram inconclusivos.
PJ GARANTE EXISTIREM VERBAS
O despacho de arquivamento do Ministério Público fala em falta de verbas do Laboratório de Polícia Científica para a compra de kits que permitiriam a realização de exames suplementares. No entanto, a Polícia Judiciária nega a mesma carência, garantindo que as verbas existem e revelando apenas que há atrasos na elaboração dos exames. Neste caso, porém, não terá sido a não realização dos exames a determinar o arquivamento. Aquela prova, por si só, seria insuficiente para acusar algum suspeito. Apenas poderia ser usada em conjugação com outras.
PORMENORES
CERTIDÕES
Mais de 170 assaltos não estão esclarecidos. Neste processo, o MP extraiu certidões para investigação futura.
VIDA DE LUXO
André, um dos acusados, trabalhava numa pizaria e ganhava abaixo do salário mínimo. No entanto, tinha quatro carros e uma motorizada em seu nome.
PRISÃO PREVENTIVA
Os três assaltantes apanhados após o assalto de Reguengos de Monsaraz continuam em prisão preventiva. O julgamento deve ser marcado brevemente.
ACUSOU AMIGOS
Um dos assaltantes, na Polícia Judiciária, acusou outros dois de co-autoria dos assaltos. No entanto, negou-o quando foi ouvido pelo juiz
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