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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Grávida espancada por grupo

Ela só veio pedir aos rapazes que parassem de me bater e acabou espancada pelo grupo. Uma mulher grávida de nove meses, isto não se faz." Ainda combalido com as agressões de que foi vítima no sábado à noite, o imigrante chinês Xu Qin Jia conta como ele e a sua compatriota, Zhang Huiying, de 39 anos, foram espancados por um grupo à porta do restaurante que têm junto à avenida Almirante Reis.<br/><br/>

13 de abril de 2009 às 00:30

"Isto começou aí por volta das nove e meia da noite. O grupo estava ali num café ao lado, onde costuma ficar a beber cervejas. Começaram a jogar à bola no meio da rua e partiram-me uma das montras. Saí à rua para dizer que tinham de me pagar o vidro e fui agredido por sete ou oito deles", conta Xu Qin, de 30 anos. Zhang estava dentro do restaurante Espadachim e saiu para tentar ajudar o amigo, mas nem ela escapou à fúria dos agressores.

Foram ambos arrastados da rua Lucinda do Carmo para a Almirante Reis, onde foram agredidos com barras de ferro e pedras da calçada. Um vizinho que assistiu à cena descreve "uma agressão bárbara. Se não se tivessem juntado vários vizinhos para acabar com aquilo, não sei o que teria acontecido". As marcas de sangue, ainda ontem visíveis na calçada da avenida Almirante Reis, denunciam a violência das agressões.

Zhao, marido da mulher agredida, contou ontem ao CM que "ela ficou com lesões na coluna, não se consegue pôr de pé e teve de levar pontos na cabeça". Ficou internada no Hospital D. Estefânia e ainda não sabia se o bebé que está prestes a nascer foi afectado pelas agressões.

O caso indignou a vizinhança, mas há muito que os moradores se queixam do grupo. "Ficam aqui a beber cerveja até às tantas e depois riscam carros, agridem pessoas e partem garrafas no chão. Toda a gente tem medo", diz um vizinho, que prefere manter o anonimato.

Fonte da PSP disse ontem ao CM que foram identificados três dos agressores – que não foram detidos por não terem sido apanhados em flagrante delito. A PSP continua a investigar o caso.

PORMENORES

QUEIXAS RECORRENTES

Vários residentes na zona mais alta da avenida Almirante Reis denunciam episódios de violência que envolvem o mesmo grupo. Dizem que vêm de Chelas e das Olaias e que se encontram num café da rua Lucinda do Carmo. Bebem, agridem pessoas e cometem actos de vandalismo.

POLICIAMENTO

Alertada pelos vizinhos, a PSP fez deslocar rapidamente vários agentes para a zona onde aconteceram as agressões, mas o grupo pôs-se em fuga e só foram identificadas três pessoas. A vizinhança queixa-se, no entanto, que é raro ver agentes na rua, sobretudo durante a noite.

IMIGRANTES COM MEDO

Xu Kin Jia, de 30 anos, está em Portugal há quatro. Ele, Zhang, o marido desta e mais dois chineses exploram o restaurante Espadachim, na rua Lucinda do Carmo. "Portugal era um país tranquilo, mas agora já não é. Já temos medo de sair à rua", diz.

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