Uma militar do Esquadrão Presidencial da GNR, que presta serviço no Palácio de Belém, em Lisboa, ingeriu anteontem uma quantidade excessiva de comprimidos, após uma discussão que manteve com o comandante da unidade. A soldado está internada no Centro Clínico da GNR, onde não corre perigo de vida.
Na segunda-feira de manhã, a militar, de 26 anos, participou na formatura que o esquadrão, responsável pela segurança da residência oficial do Presidente da República, faz habitualmente nos jardins do Palácio de Belém.
Apesar de estar de folga, a soldado manteve-se nas instalações do Esquadrão e, pelas 12h00, terá abordado um sargento de serviço com o intuito de tentar ajudar dois colegas. “Ela queria que fossem concedidas a esses dois militares as trocas de serviço que eles pretendiam”, disse ao CM fonte ligada ao processo.
A intransigência de ambas as partes levou o sargento a apelar à mediação do comandante do Esquadrão. Perante o oficial, a militar manteve a mesma exigência mas levou um ‘não’ como resposta.
Visivelmente enervada, saiu do gabinete e deslocou-se para a sua camarata. “Foi este o momento em que ela terá ingerido aspirinas e outros comprimidos de mais de um tipo”, acrescentou outra fonte.
Colegas da militar aperceberam-se dos efeitos da ingestão de comprimidos e, pelas 22h00, a soldado foi levada ao Hospital Militar da Estrela.
Ontem de manhã foi transferida para o Centro Clínico da GNR, onde se mantém em observações.
"FALTA-NOS ESTRUTURA DE APOIO"
O presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG), José Manageiro, considera que a GNR não está estruturada para apoiar psicologicamente os seus militares. O dirigente associativo refere ao CM que neste momento a GNR não tem “uma política que consiga apoiar, em especial, os militares que por contingência de serviço são colocados longe das zonas de residência”. “Muitas vezes esse apoio só surge em situações-limite”, concretiza. O Comando-Geral da GNR dispõe de um departamento de apoio psicológico que funciona no próprio Quartel do Carmo. A PSP tem um gabinete de psicologia que funciona no Grupo de Operações Especiais, em Belas, Sintra. Aí dez psicólogos assistem 22 mil polícias.
DEU TIRO NA CABEÇA NO POSTO
Hélder Costa estava a dias de completar 26 anos. Na madrugada de 2 de Setembro, o militar do posto da GNR de Lever, Vila Nova de Gaia, estava de serviço, sem qualquer colega a fazer-lhe companhia. Sem que nada o fizesse prever, pegou na arma de serviço que tinha ao lado, uma pistola de calibre 7,65 mm com mais de dez anos, e deu um tiro na cabeça. O soldado Hélder Costa estava na GNR há cerca de três anos e prestava serviço no posto territorial de Lever há pouco mais de um. O último suicídio registado pelo Comando-Geral da GNR tinha ocorrido a 29 de Junho de 2006 em Albufeira. Um militar colocado no posto territorial da Trafaria, concelho de Almada, também usou a arma de serviço para pôr termo à vida. A morte ocorreu num empreendimento turístico de Albufeira onde o soldado passava férias com a família. A 29 de Março do mesmo ano, outro militar da GNR havia sido encontrado morto no interior das instalações do Grupo Territorial da Guarda. Terá morrido de morte natural.
- 18agentes da PSP puseram termo à própria vida entre 2001 e 2006. Na GNR, e no mesmo período, registaram-se vários casos, mas o Comando-Geral recusa-se a divulgar os números.
- 2 Número de anos de serviço que a soldado que anteontem ingeriu comprimidos leva ao serviço do Esquadrão Presidencial da GNR, no Palácio de Belém, em Lisboa.
CAMARATAS
As camaratas ocupadas pelo efectivo do Esquadrão Presidencial da GNR estão instaladas no interior do próprio Palácio de Belém.
GUIMARÃES
A militar nasceu em Guimarães, onde ainda vive a família. É casada e desde que foi colocada no Esquadrão Presidencial que vive na zona de Lisboa.
TRANSFERÊNCIA
Os médicos que acompanham a soldado deram-lhe baixa. Por ter a família no Norte, a jovem pediu transferência para o Centro Clínico da GNR no Porto.
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