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Correio da Manhã

Portugal
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Há caça com fartura

A abertura da época venatória deste ano fica marcada pelo optimismo dos caçadores em relação à quantidade de aves disponíveis nas mais de quatro mil zonas de caça nacionais. Pombos e rolas são as espécies que desde ontem estão sob a mira dos atiradores. As mais apetecíveis, porém, só podem ser caçadas em Setembro.
16 de Agosto de 2006 às 00:00
Mesmo assim, os caçadores estão satisfeitos. A Federação Portuguesa de Caça (Fencaça) diz mesmo que os repovoamentos em reservas este ano serão apenas “casos pontuais”.
“É um ano excepcional de perdiz, de lebre e de coelho bravo, as espécies mais procuradas e com maior tradição”, disse o presidente da Fencaça, Jacinto Amaro, no final do primeiro dia, antevendo uma boa temporada em Setembro quando abrir a caça para estas espécies.
O responsável – que esteve na zona do Ciborro, concelho de Montemor-o-Novo – assegura que só em casos excepcionais, como um avanço significativo das doenças dos coelhos, se fazer o repovoamento. Os caçadores chamam-lhe “um mal necessário”.
Um coelho para repovoamento tem um preço aproximado de 12,5 euros enquanto que uma perdiz custa em média 7,5 euros. Para a reposição da espécie num terreno de 500 hectares são necessários cerca de 100 coelhos, o que significa um encargo na ordem dos 1250 euros. A estes valores, os caçadores têm de juntar a agravante de não se poder praticar a actividade num determinado período de tempo.
O único factor de descontentamento é o atraso da abertura da época do pato para 3 de Setembro. “Se tivesse aberto hoje, as espécies poderiam ser melhor distribuídas pelos caçadores e havia mais jornadas. Há muitos que só caçam o pato e que hoje tiveram de ir aos pombos e rolas”, acrescentou.
No concelho de Alandroal, na região raiana, os que ali foram caçar ontem queixavam-se da falta de rolas, o que limitou bastante os primeiros tiros da época. “Os espanhóis prendem-nas”, disse Carlos Ferreira, da Associação de Caçadores de Borba.
"ISTO É MAIS PARA MATAR O VÍCIO"
Protegido por um abrigo da cor dos campos de milho, para enganar a rola, José Manuel esperava com paciência uma nova oportunidade para voltar a dar ao gatilho. Com a hora do almoço a aproximar-se, já tinha caçado duas rolas e deixado fugir outras tantas. “Isto é mais para matar o vício, a caça são as minhas férias”, conta o caçador, residente em Telheiro, Leiria, que o CM encontrou na Zona de Caça Associativa da Freguesia da Ortigosa. Lá ao lado, Rui Dinis contava duas rolas e dois pombos, abatidos logo ao início da manhã.
“A melhor hora é entre as 07h00 e as 10h00, quando as aves passam para ir comer”, adianta Rui Dinis. Para ele, a caça é um desporto e permite “passar um bocado no campo”. Com cada vez mais terrenos integrados em zonas de caça, cada caçador assume a função de guarda, vigiando o que o seu parceiro está a fazer, o que permite fazer uma melhor gestão dos recursos. “Nós somos um grupo pequeno, por isso somos guardas uns dos outros”, conta Jorge Cruz, adiantando que “assim há sempre caça para todos”. Ainda sem aves à cintura, o caçador não se mostra preocupado: “Isto é só para entreter, a sério é só quando abrir a caça ao coelho e à lebre”, conclui.
HORAS EXTRA SÓ SE FOR NECESSÁRIO
O primeiro dia de caça decorreu sem grandes problemas. Apesar do balanço só ser feito hoje pelo Serviço de Protecção da Natureza (SEPNA) da GNR, o major Jorge Amado, responsável pelo serviço, referiu ao CM não ter havido incidentes, “seguindo o que tem acontecido nos últimos anos, onde o número de infracções tem diminuído”.
Jorge Amado garantiu que a fiscalização não foi afectada, apesar de ser feriado e de haver contenção de verbas para pagamento de horas extra e ajudas de custo. “Se não houver indicação que em determinada zona não há caça clandestina, não há necessidade de hipotecar os guardas. Sempre que se justifique, há carta branca para destacar os elementos e pagar as horas”, explica. O SEPNA é constituído por 870 elementos – 420 efectivos da GNR e 450 guardas florestais.
TIROS CERTEIROS
PATO E CORDONIZ
A época de caça ao pato e codorniz abre no dia 3 de Setembro. A partir de 17 de Setembro pode-se caçar coelho bravo e lebre nos terrenos ordenados. Faisão, perdiz, raposa e coelho bravo, lebre e javali (terrenos não ordenados) só podem ser caçados a partir de 1 de Outubro.
CARTA DE CAÇADOR
Para ser caçador encartado é necessário tirar a carta de caçador, ter uso e porte de arma, licença de caça e armas legalizadas (com livretes).
182 MIL COM LICENÇA
Segundo a Direcção-Geral dos Recursos Florestais existem em Portugal 297 mil indivíduos com carta de caçadore 182 mil com licença de caçador.
NEGÓCIO DE MILHÕES
O negócio da caça em Portugal ascende aos 600 milhões de euros por ano. Há mais de quatro mil zonas de caça.
PRÉ-ÉPOCA
A abertura da caça às aves migratórias de Verão é uma espécie de pré-época, pois a altura mais desejada pelos caçadores só começa em Setembro, quando é permitido atirar a coelhos e lebres – as suas espécies preferidas. Nesta altura também já podem usar os cães, o que não acontece agora. Ontem, em todo País, tombaram as primeiras rolas e pombos (na foto), num dia que satisfez a maioria dos atiradores. Pode caçar-se aos domingos, feriados nacionais e quintas-feiras.
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